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25 anos da Casa de Criadores: confira o line up da 50ª edição

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Após dois anos em formato digital, a Casa de Criadores (CDC) volta presencialmente para completar os seus 25 anos de existência com sua edição 50. Este ano, o evento acontece entre os dias 6 e 10 de julho no Super Loft, localizado na Rua Venceslau Brás, 61, na Sé, em São Paulo. Mas o calendário começa antes, com duas palestras online dos dias 4 e 5 de julho.

Com mais de 30 desfiles presenciais, que também serão transmitidos ao vivo pelo site, mídias sociais e no canal do YouTube da Casa de Criadores, haverá a apresentação virtual de dois desfiles pelo site da CDC.

Estilistas veteranos da Casa como Ellias Kaleb, Rober Dognani e Vicenta Perrotta irão apresentar seus trabalhos, assim como novos nomes, dentre eles Sillas Filgueira, Woolmay Mayden, Pedra e Alexei. O evento também terá a volta dos estilistas Felipe Fanaia e Filipe Freire. E, estreando em desfiles presenciais, as marcas Nalimo, Guma Joana, Yebo, Monica Anjos, Vou Assim, Berimbau, Leandro Castro e Felipe Caprestano.

O evento tem patrocínio da Abrapa, Santista, Baer-Mate e do movimento Sou de Algodão. Este último, iniciativa da Abrapa, promove a moda responsável e o consumo consciente por meio do uso do algodão. Nesta edição, o movimento promove o 2º Desafio Sou de Algodão + Casa de Criadores, concurso em que oito participantes de todo o Brasil disputam uma vaga no line-up da CDC e um prêmio no valor de 30 mil reais.

A vaga valerá para a próxima edição da CDC, prevista para acontecer em novembro. Cada estilista apresentará uma coleção autoral no dia 7 de julho, dentro do concurso, cujo objetivo é descobrir novos talentos no mundo da moda autoral. A edição anterior do Desafio revelou nomes como Ateliê Fomenta, Mateus Cardoso, Dario Mittmann e Rodrigo Evangelista.

A Secretaria Municipal de Cultura, a Prefeitura da Cidade de São Paulo e a Tree Models apoiam a iniciativa da Casa de Criadores. A CDC tem ainda como parceira a rede social Pinterest, que estará presente com palestras online. As temáticas serão Por uma Estética Negra, no primeiro dia, e Pinterest, Aqui é Diferente, no segundo. Será obrigatório o uso de máscaras para convidados e o comprovante de vacinação. 

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Confira o line-up completo abaixo:

4 de julho, segunda feira, às 19h

Talk online: Por uma Estética Negra

5 de julho, terça-feira, às 19h

Talk online: Pinterest, Aqui é Diferente

Desfiles presenciais — Rua Venceslau Brás, 61, Sé — e online

6 de julho, quarta-feira, a partir das 20h

F. Kawallys – Virtual

Nalimo

Studio Ellias Kaleb

Shitsurei

Guma Joana

Yebo

Dario Mittmann

7 de julho, quinta-feira, a partir das 20h

2º Desafio Sou de Algodão

Jorge Feitosa

Mônica Anjos

Estúdio Traça

NotEqual

8 de julho, sexta-feira, a partir das 20h

Projeto Lab

Vittor Sinistra – Virtual

Alexei

Da Silva Santos Neves

Alexandre dos Anjos

Sillas Filgueira

Reptilia

Pedra

Felipe Fanaia

9 de julho, sábado, a partir das 18h

Ken-gá

Vivão

Vou Assim

Rafael Caetano

Berimbau

Filipe Freire

Leandro Castro

Vicenta Perrotta

10 de julho, domingo, a partir das 18h

David Lee

Priscilla Silva

Gefferson Vila Nova

Felipe Caprestano

PIM (Periferia Inventando Moda)

Woolmay Mayden

Rober Dognani

Fonte: IG Mulher

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Ex-Rock in Rio, Roberta Coelho agora se aventura nos e-Sports

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Roberta Coelho e o time feminino de CS:GO do MIBR
Foto: Divulgação/Arquivo pessoal

Roberta Coelho e o time feminino de CS:GO do MIBR


Os jogos eletrônicos transformaram a vida dos jovens brasileiros no início dos anos 2000. As tardes de milhares de adolescentes eram preenchidas por partidas intermináveis de Halo, Tibia, Perfect World, Diablo e World of Warcraft. No entanto, nenhum jogo movimentou esse público com tanta força como Counter Strike. 

Em 2003, nasce o primeiro time de CS do Brasil: a equipe Made in Brazil, formada originalmente pelo empresário Paulo Velloso. Com quase duas décadas de história, o MIBR passou por altos e baixos, e, ainda hoje, continua sendo um dos times de e-sport mais populares em todo o Brasil.

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A verdadeira transformação do time chegou só em 2021, com a contratação da primeira CEO da história da empresa, a economista e ex-CFO do Rock in Rio, Roberta Coelho.

Vida profissional

Carioca de nascença, mas residente da capital paulista durante a maior parte da infância, Roberta Coelho iniciou sua vida profissional no mercado financeiro, mas logo adentrou o universo corporativo. Durante 10 anos, a economista trabalhou na multinacional italiana Pacorini, referência internacional na logística de café, cacau e metais.

O talento de Roberta na comunicação com outras empresas a garantiu a vaga de diretora comercial na multinacional. “Comecei como gerente e saí como CFO da empresa. Nessa época, comecei a pensar que por mais que eu adorasse números, eu também gostava de me comunicar. Nasci dos números, mas amava negociar com os bancos. Eu adorava ir lá fazer as vendas e tudo mais, e surgiu o convite para a diretoria comercial”, declara.

filhos
Foto: Divulgação/Arquivo pessoal

Roberta Coelho e seus filhos Guilherme, na esquerda, e Maria, na direita

Na mesma época, a profissional se tornou mãe. Aos 28, deu à luz Maria, e, aos 30, Guilherme. Mesmo com as novas demandas da maternidade, Coelho continuou investindo em sua carreira profissional. “Eu sempre adorei trabalhar. Sempre fui atrás de cargos que me traziam felicidade. Na vida, cada um tem o que acha importante, e, para mim, o trabalho com certeza é uma dessas coisas”.

Rock in Rio e Greenpeople

Em 2011, outra mudança revirou a vida de Roberta: o convite para o cargo de CFO do Rock in Rio. “Meu desafio era abrir o capital do Rock in Rio. Toda parte de profissionalização da área financeira passou muito pela minha mão. Eu abri o escritório do Rock in Rio em Nova York, em Las Vegas e em Los Angeles. Vivi super intensamente aquela história toda de festival”.

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Depois de alguns anos no cargo, a economista começou a ter algumas dúvidas sobre seu futuro profissional: “Eu queria mais do que só ficar atrás de um computador”. Na época, Roberta recebeu uma proposta de emprego da empresa de sucos Greenpeople, mas estava incerta sobre qual caminho seguir. “Demorei 3 meses considerando aquela proposta, e então, decidi sair do Rock In Rio. Daí, demorei outros três meses para ver que não era para ter saído”.

“Esse momento foi uma experiência muito importante na minha vida. Foi quando eu realmente encarei o fracasso. Eu senti que tomei a decisão errada e vi que tinha fracassado nas minhas escolhas. Sou muito grata à Greenpeople por esse momento, foi de muito aprendizado”.

No período, a economista decidiu tirar um ano sabático: “Prometi que ia ficar longe da área financeira. Não durou muito tempo”. Um mês depois de sair da Greenpeople, ela estava de volta ao Rock in Rio, mas na liderança da área de novos negócios.


Roberta permaneceu quase uma década trabalhando para o Rock in Rio
Foto: Divulgação/Arquivo pessoal

Roberta permaneceu quase uma década trabalhando para o Rock in Rio

“Fiquei responsável por todos os conteúdos não-musicais do festival. Na época, criamos o Digital Stage, que foi um palco exclusivo de influenciadores. Também desenvolvemos o Amazônia Live, que  foi o projeto socioambiental do Rock in Rio”. O maior projeto de Roberta, no entanto, nasceu em 2017: o espaço de games do festival, a Game XP.

“Fizemos uma pesquisa para entender um conteúdo que conversasse bastante com música, e chegamos a conclusão que os games tinham tudo a ver. Daí, criamos um bairro de games dentro do Rock in Rio usando as arenas olímpicas, e o batizamos de Game XP.”

A seção do evento oferecia disputas de jogos entre celebridades, stands de marcas, 1,4 mil metros quadrados de projeção e talk shows, além de uma grande arena de e-sports com campeonatos diversos. “Foi um sucesso. As filas para entrar nas arenas eram bizarras. As pessoas todas queriam ir lá ver curiosidade, já que a gente fez a maior tela de games do mundo”.

Depois do Rock in Rio, a Game XP se expandiu e se tornou um evento por si só durante duas edições seguidas. “Foi minha primeira experiência com o universo dos games”, declara Roberta. A pandemia, no entanto, pausou o crescimento do evento, já que a edição de 2020 foi cancelada devido ao coronavírus.

Depois de conhecer os games em 2017, Coelho mergulhou de vez nesse universo em 2021, quando foi convidada para se tornar CEO do MIBR.

MIBR

Quase duas décadas antes da chegada de Roberta, o MIBR já era conhecido internacionalmente pela performance de seus jogadores nos e-sports. Fundada em 2003 pelo empresário Paulo Velloso, a Made In Brazil é a equipe de Counter Strike mais antiga do país.

Na época, o time conquistou dezenas de títulos importantes, como o mundial da Electronic Sports World Cup (ESWC) em 2006 e o primeiro lugar na Dreamhack Winter em 2007. 

Com quase duas décadas de existência, MIBR é uma das principais empresas de e-sports do país
Foto: Divulgação/MIBR

Com quase duas décadas de existência, MIBR é uma das principais empresas de e-sports do país

Mesmo com muitas conquistas, a empresa encerrou suas atividades em 2012. O retorno só ocorreu em 2018, quando a empresa de jogos digitais Immortals Gaming Club (IGC) adquiriu os direitos da marca, que retornou às competições ainda no mesmo ano.

Até a chegada de Roberta, em setembro de 2021, o MIBR não contava com um CEO. As decisões do time eram coordenadas pela própria IGC.

“Cheguei aqui com o objetivo de fazer a organização crescer cada vez mais. Atualmente, o MIBR é uma organização global. Nossos times jogam em campeonatos internacionais durante o ano todo”.

Atualmente, o MIBR conta com sete times profissionais: CS:GO masculino, CS:GO feminino, CS:GO academy, Valorant masculino, Valorant feminino, Free Fire e Rainbow Six.

“Quero não apenas expandir a organização, mas também trazer a história da comunidade. A MIBR tem uma legião de fãs que eu sou apaixonada, e quanto mais experiência a gente puder entregar para esses fãs de todas as formas, melhor”.

Como uma das principais empresas do ramo de esportes eletrônicos no Brasil, o MIBR é destaque na presença feminina nos games. Dos sete times presentes na empresa, dois são totalmente femininos.

O time feminino de CS:GO da MIBR já conquistou o primeiro lugar em diversos campeonatos, como a Grrrls League 2021: Split #2, Grrrls League 2021: Split #1, e a WESG 2021 Female Latin America.

Perguntada sobre a participação da empresa na representatividade feminina nos esportes eletrônicos, Roberta afirma que o tema é uma de suas prioridades como CEO. “A MIBR vai continuar investindo no cenário feminino. Eu tenho para mim que se a gente não não começar a investir e se movimentar como organização, esse cenário não vai mudar”.

Sete times e dezenas de jogadores formam o MIBR no país
Foto: Divulgação/Arquivo pessoal

Sete times e dezenas de jogadores formam o MIBR no país

Por mais que os times femininos estejam crescendo, a profissional afirma que deseja mostrar que mulheres também podem torcer. “Os torcedores, em sua grande maioria, não são mulheres, e, por isso, um dos nossos desafios é aumentar a nossa audiência feminina. Quando investimos em mulheres, acabamos inspirando outras. Queremos trazer a ‘mulherada’ para torcer”.

Para o futuro, a economista busca por uma maior presença feminina e por uma expansão internacional da empresa: “Minhas expectativas são que o MIBR cresça, seja em nossos investimentos no universo feminino ou em um maior impacto como referência global no mundo dos games”, finaliza. 

Fonte: IG Mulher

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Como a comunicação não-violenta pode melhorar um relacionamento

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Os padrões da comunicação não-violenta podem melhorar a forma de resolver conflitos e aproximar o casal
EKATERINA BOLOVTSOVA/Pexels

Os padrões da comunicação não-violenta podem melhorar a forma de resolver conflitos e aproximar o casal

Discussões e atritos são comuns dentro de qualquer relacionamento amoroso. Afinal, trata-se de uma convivência entre duas pessoas que são diferentes na forma de agir, sentir, pensar e ser. No entanto, não saber como se comunicar de forma acolhedora nesses momentos pode resultar em momentos desgastantes e de brigas intermináveis para o par – algo com o que a comunicação não-violenta, ou CNV, pode se tornar útil e melhorar a relação.

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A comunicação não-violenta é um conceito que visa reconsiderar os padrões de linguagem para adotar uma forma de falar mais fluida, empática e honesta. Comumente conhecida por ser usada em ambientes corporativos, usá-la pode ser uma forma de conseguir expor melhor os sentimentos, principalmente os incômodos, e otimizar a busca por uma resolução justa com as percepções e visões das pessoas envolvidas.

No caso de um relacionamento, o padrão de comunicação violento não aparece apenas quando se trata de uma discussão. “É comum que nas discussões de relacionamento, as DRs, as emoções fiquem mais intensas e tanto o que dizemos quanto a forma como dizemos podem dificultar que as pessoas envolvidas nos compreendam. É quando ambos entram no modo reativo que as conversas tendem a ficar desafiadoras. Mas a violência pode ser bem mais sutil e aparecer em momentos comuns da rotina”, ressalta Flávia Amorim, sócia e facilitadora do Instituto CNV Brasil.

Ela aponta que, em momentos de atrito, existe a intenção de incitar sentimentos de medo, culpa ou vergonha no outro por meio de estratégias violentas para conseguir algo.

“Imagine que você queira passar mais tempo com seu namorado ou namorada. É comum que, em vez de declarar o que queremos, façamos críticas ao comportamento que não queremos que a pessoa tenha. Então, acabamos dizendo coisas como: ‘Você é muito distante e frio comigo’, ou ‘Você passa tempo demais com seus amigos, você não se importa comigo’”, exemplifica Amorim.

No entanto, ela afirma que a comunicação não-violenta permite que a abordagem quanto a essas frustrações seja mais construtiva e confortável para as pessoas. “A Comunicação Não-Violenta permite contar das nossas motivações e fazer pedidos sobre o que queremos, falando para a outra pessoa como ela pode contribuir com as nossas vidas”, diz.

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“Quando fazemos as coisas a partir da motivação de tornar a vida da outra pessoa melhor, e sabendo que há espaço para dizer não, saímos de uma lógica de que é preciso perder para a outra pessoa ganhar, e passamos a querer contribuir para a vida uns dos outros. Um casal que busca praticar a comunicação não-violenta está interessado em tornar a sua relação mais fluida e mais fácil, e quer encontrar mais bem-estar e satisfação na companhia um do outro”, acrescenta.

Por que a comunicação de um casal fica violenta?

A comunicação de um relacionamento não é violenta logo de cara. Isso porque, no início da relação, as pessoas estão na fase de encantamento, o que faz com que as diferenças sejam pouco perceptíveis pelo casal. Até a composição química do cérebro é alterada nesse momento, graças à maior presença dos hormônios ocitocina e vasopressina.

“Nesse momento, focamos em como a pessoa nos faz sentir e como é bom estar perto dela. Só que, com o passar do tempo, a presença desses hormônios diminui, a convivência aumenta e o foco muda. As diferenças dos nossos hábitos ficam em evidência. E é aqui que a comunicação tende a mudar”, explica Amorim.

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Nesse momento, se passa a ter expectativas de que o comportamento do outro mude para a maneira como se julga “correta”, além do aumento do desejo de manifestar os incômodos. Amorim aponta que, desde cedo, as pessoas são ensinadas, de maneira equivocada, que “a violência educa”, o que resulta no comportamento agressivo para tentar resolver problemas.

“Não estou falando apenas de xingamentos e tons de voz alterados, mas também de toda fala que gera culpa, vergonha ou medo. Acreditamos que ao fazer a outra pessoa se sentir mal, ela vai aprender a agir diferente, o que é uma forma bastante violenta de educar”, aponta.

O uso de estratégias violentas para se comunicar acontece por alguns fatores, sendo os principais: o fato de não aprendermos a pedir exatamente o que queremos e, com isso, a dificuldade de legitimar as próprias necessidades.

“Ao longo da vida, desenvolvemos crenças de que pedir é errado, é incomodar ou demonstrar carência, por exemplo. Quando não fazemos pedidos específicos, acabamos entrando na lógica de criticar o comportamento do outro como uma tentativa de conseguir o que queremos. Fomos educados para ser boas meninas e bons meninos e não dar trabalho, então temos dificuldade de reconhecer o que precisamos”, reforça.

Essa ausência de conhecimento sobre as próprias necessidades e do medo de fazer pedidos resulta numa responsabilidade atribuída ao outro de adivinhar. Além disso, tende-se a reforçar o descontentamento com uma determinada ação em vez de pensar que a outra pessoa pode compreender e mudar o que não faz bem. “Esses fenômenos comuns nas nossas relações acabam gerando desentendimento, brigas repetidas e, por fim, feridas, dores e distanciamento”.

Como identificar padrões de comunicação violenta

Parar de rotular o outro e assumir responsabilidade são passos que podem contribuir para uma comunicação mais fluida e segura
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Parar de rotular o outro e assumir responsabilidade são passos que podem contribuir para uma comunicação mais fluida e segura

Amorim aponta que existem quatro padrões de linguagem que caracterizam a comunicação violenta.

  1. Diagnóstico: quando o comportamento do outro é rotulado. Exemplo: “Ela é muito preguiçosa” ou “Ele sempre esquece o que eu peço para ele”
  2. Exigência ou ameaça: quando se dá ordens e não se faz pedidos negociáveis, implicando consequências caso algo não seja executado da forma desejada. Exemplo: “Eu queria tanto que você fosse no jantar dos meus pais comigo. Se você não for, não sei se vou me esforçar para estar naquele evento que você quer estar no final de semana”.
  3. Punição ou recompensa: quando se espera que o outro faça algo em retorno de outra ação feita. Exemplo: “Eu fiquei o dia inteiro fazendo o que você queria, agora é a minha vez”
  4. Negação de responsabilidade: quando se preocupa mais em apontar as ações do próximo do que pensar nas próprias. Exemplo: “Mas você também não me lembrou que o nosso aniversário de casamento era hoje!”

“Essa maneira de falar mais afasta do que aproxima e tem custos para a relação. Temos que usar de outras formas para contar da nossa experiência e para escutar com curiosidade sobre a experiência da outra pessoa”, afirma Amorim. ao buscar outra maneira de falar ou escutar, se abre espaço para pensar de forma conjunta para solucionar conflitos.

A profissional reforça que, por mais que a comunicação não-violenta seja uma técnica para beneficiar casais a melhorar a convivência, a técnica não deve ser vista como uma forma de “consertar” relacionamentos que têm padrões mais abusivos.

“É importante tomar um cuidado quando falamos de relacionamentos abusivos para não confundir essa violência que está diluída na maneira como aprendemos a nos relacionar com ações de abuso que geram feridas emocionais, traumas e até mesmo tragédias. Ao acreditar que está em um relacionamento abusivo, o recomendado é buscar acompanhamento psicológico para saber como romper com o ciclo de abuso”, indica.

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Como implementar a comunicação não-violenta no relacionamento

Para auxiliar na melhoria de conflitos dos casais, é possível implementar a comunicação não-violenta das seguintes maneiras.

  1. Faça observações: se atenha aos fatos que realmente aconteceram em vez de julgamentos sobre o outro para facilitar o reconhecimento das ações e diminuir ações reativas.
  2. Atenção às próprias necessidades: conte suas motivações mais profundas sobre o que é pessoalmente importante para você. Exemplo: “Contribuição e apoio com as atividades da casa são importantes para mim”.
  3. Atenção aos próprios sentimentos: “Eles são mensageiros das nossas necessidades que estão ou não atendidas. Então, se percebo que estou impaciente e ansiosa, é porque tem algo que é importante para mim que não está sendo cuidado”, aponta Amorim.
  4. Faça pedidos: faça isso para que a outra pessoa saiba como contribuir para algo que é importante para você. Verbalize o pedido de forma específica. Exemplo: “Podemos combinar os dias da semana em que você fica responsável por descer com o cachorro?”

Lembre-se de sempre ouvir a perspectiva do outro com curiosidade e de se fazer as seguintes perguntas:

  • O que é mais importante para a outra pessoa ali?
  • O que a pessoa gostaria que eu fizesse para contribuir para o que ela precisa?

“Vá para a conversa para conversar, não para corrigir, justificar ou educar a outra pessoa. E lembre-se que queremos um diálogo, não dois monólogos. Todas as partes precisam trazer o que é importante para cada uma após ouvir a experiência da outra”, finaliza Amorim.

Como a comunicação não-violenta pode melhorar a relação

A empresária Nolah Lima, 33, afirma que percebeu as falhas de comunicação no parceiro, principalmente, quando algo não acontecia como ele esperava. Depois, ela passou a perceber as próprias atitudes violentas, como não escutar o parceiro quando ele compartilhava desafios do trabalho ou partir para soluções sem dar espaço para que ele falasse.

No caso de Liliane Sant’Anna, 34, empresária, os desentendimentos eram muito raros, mas ela passou a notar que a forma de comunicar determinados sentimentos estava machucando. “Isso acontecia com um silêncio que induzia a culpa no outro depois de algo que não saiu como o outro gostaria ou um discurso de ‘não era para ter agido assim’, por exemplo. Parecia muito educado e calmo, mas a intensidade de medo, culpa ou vergonha eram enormes depois dos acontecimentos.

Tanto Nolah como Lilian conheceram o conceito de comunicação não-violenta como forma de aprimoramento pessoal e profissional. Mas, com o tempo, notaram que era possível aplicá-la no dia a dia. “Meu marido não quis fazer as aulas, mas só de eu mudar a forma como me expressava e ao compartilhar com ele o que ia aprendendo, ele foi pegando o jeito. Hoje, muitas vezes, ele é mais cuidadoso que eu”, afirma Nolah.

Lilian se deu conta do mesmo: ao mudar a forma como interpretava as situações e comunicava o que queria e sentia, viu mudanças no direcionamento da conversa com o parceiro. “Foi um processo mais fluido e gentil quando comecei a trazer para esse contexto. Meu relacionamento já tinha mais de 10 anos quando conheci a CNV, mas, por incrível que pareça, com ela encontramos caminhos para nos conhecer mais profundamente. Nos abriu a possibilidade de entender o que nos motivava a querer determinadas coisas”, conta.

Para Nolah, a capacidade de conversar sobre temas difíceis e atritos do cotidiano com menos reatividade fez o processo valer a pena para ela e o parceiro. “Ainda temos conflitos que não são legais, mas hoje somos capazes de conversar sobre como conversamos e de cuidar da relação. Ainda mais com uma filha pequena, foi ainda mais importante ter os conteúdos aprendidos para lidar com conversas difíceis e deixar a relação mais leve”, conclui.

Fonte: IG Mulher

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