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ALGODÃO/RETRO 2018: Indicador se mantém em patamar elevado ao longo de 2018

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Cepea, 11/01/2019 – Com baixo estoque doméstico, paridade de exportação positiva e paralisação de caminhoneiros em maio, os preços do algodão em pluma estiveram em altos patamares em 2018, especialmente no primeiro semestre, de acordo com dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. O bom desempenho dos embarques da pluma na temporada 2016/17 – que limitou a oferta interna em 2018 –, os altos preços externos e a valorização do dólar frente ao Real também influenciaram a valorização do algodão durante os primeiros seis meses de 2018. Já na segunda metade do ano, a chegada de alguns lotes da nova temporada (2017/18) somada ao fraco desempenho do mercado de derivados brasileiro pressionaram os valores nacionais.

 

Mesmo com um bom volume colhido na safra 2017/18, cotonicultores afirmavam ter boa parte da pluma comprometida em contratos e, por isso, priorizavam as entregas para os mercados interno e externo. Dessa forma, segundo colaboradores do Cepea, os lotes disponibilizados no spot geralmente apresentavam alguma característica, como cor, micronaire, fibra e resistência.

 

No balanço de 2018, o Indicador do algodão em pluma CEPEA/ESALQ, com pagamento em 8 dias, registrou alta de 15,04%, fechando a R$ 3,0657/lp no dia 28 de dezembro. Somente no primeiro semestre (de 28 de dezembro de 2017 até 29 de junho de 2018), o Indicador subiu fortes 35,2%. Já na segunda metade do ano (de 29 de junho até 28 de dezembro), o Indicador recuou 15%. Assim, a média anual, de R$ 3,1713/lp, ficou 21,5% superior à de 2017.

 

Nos primeiros quatro meses do ano, a liquidez no mercado doméstico esteve alta, visto que indústrias e comerciantes estavam ativos, em busca de pluma para atender a necessidades imediatas, repor estoque ou cumprir programações. Vale considerar que, nesse período, agentes consultados pelo Cepea se queixaram dos aumentos do frete, devido à colheita da soja, e da dificuldade de encontrar caminhão para cumprir os embarques. 

 

Além da oferta restrita, a paralisação dos caminhoneiros no fim de maio travou as negociações para entregas rápidas. Do lado produtor, a maior preocupação era de poder iniciar ou dar continuidade à colheita. Além disso, empresas passaram a utilizar o produto já contratado ou reduziram as atividades, à espera do avanço na colheita 2017/18.

 

Para o mercado de fios, naquele período, indústrias se queixavam do repasse das valorizações da matéria-prima aos derivados. Os reajustes ocorreram até mesmo para as empresas que utilizam fibras sintéticas, devido à valorização do dólar frente ao Real. Vale considerar que houve momentos em que outras unidades decidiram comprar fios 100% e/ou mistos (como poliéster), diminuindo a necessidade de adquirir a pluma.

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Assim, o preço interno, que vinha registando consecutivos aumentos desde novembro/17, atingiu o maior patamar de 2018 em 20 de junho, de R$ 3,8079/lp. No final de junho/18, no entanto, os valores voltaram a cair, influenciados pela chegada de alguns lotes da safra 2017/18 no spot e pela retração de parte dos compradores, que aguardava a intensificação da colheita. Em termos reais (atualizados pelo IGP-DI de dezembro/18), a média mensal do Indicador em junho chegou a R$ 3,8149/lp, a maior desde maio/11. 

 

Os atrasos da colheita e do beneficiamento da safra 2017/18 sustentaram os preços em julho e agosto, quando a oferta geralmente é maior. O bom volume comercializado antecipadamente tanto para o mercado interno como o externo fez com que agentes estivessem atentos aos cumprimentos dessas programações. Em certos momentos, algumas indústrias tiveram que entrar no mercado para novas aquisições de contratos que atrasaram e/ou não atendiam à qualidade esperada. 

 

Ao longo de setembro, como parte da pluma beneficiada estava sendo direcionada às entregas de contratos, os valores internos acabaram se sustentando. Já em outubro, vendedores foram mais flexíveis, devido à baixa qualidade do produto disponível. Além da heterogeneidade dos lotes, compradores apontavam dificuldade em encontrar pluma dentro das especificações desejadas. Assim, quando efetuavam algum negócio, na maioria dos casos, envolvia pequenos volumes. 

 

As queixas quanto às características persistiram em novembro e a “queda de braço” relacionada a preço e à qualidade foi acirrada. Assim, após oscilar em boa parte do mês, o preço fechou praticamente estável. Para as negociações futuras, também em novembro, indústrias demonstraram interesse em negociar tanto para o primeiro semestre como para a pluma da temporada 2018/19, seja a valores fixos ou baseados no Indicador. Já para dezembro, com a proximidade do recesso de final de ano, agentes priorizaram as entregas. 

 

CONAB – A produção brasileira da safra 2017/18 atingiu volume recorde de 2,005 milhões de toneladas, alta de 31,1% frente à anterior. A elevação de 25,1% na área cultivada foi estimulada pela maior rentabilidade do algodão frente a demais culturas rotativas e pela expectativa de preços mais elevados da pluma. A produtividade média aumentou 4,8% em relação à temporada 2016/17. Mato Grosso, maior produtor nacional, semeou 777,8 mil hectares (+24%) e a produtividade média cresceu 3%. Esse cenário resultou em produção de 1,29 mil toneladas, 27,6% maior que a da safra anterior. Na Bahia, a Conab estimou significativa alta de 44% na produção da safra 2017/18, somando 498,4 mil toneladas. A produtividade baiana subiu 10,1% e a área cultivada se ampliou 30,8%.

 

INTERNACIONAL – Com boa demanda, o preço da pluma também esteve em alta no mercado mundial. De dezembro/17 a dezembro/18, o Índice Cotlook A na safra 2017/18, de acordo com relatório do Icac (Comitê Internacional do Algodão), acumulou elevação de 22,2%. Iniciando 2018 a US$ 0,74/lp, o índice atingiu US$ 0,95/lp em setembro (o maior valor desde a safra 2013/14), recuando para US$ 0,88/lp em dezembro. De acordo com o relatório do dia 17 de dezembro, a colheita mundial da safra 2017/18 atingiu 26,75 milhões de toneladas, 15,9% maior que o da temporada 2016/17. O consumo também subiu, em 9,43%; enquanto o estoque mundial caiu apenas 0,27%. 

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Em 2018 (até o dia 31 de dezembro), o primeiro vencimento negociado na Bolsa Nova York (ICE Futures) acumulou baixa de 8,4%, fechando a US$ 0,7220/lp no dia 31. No acumulado do ano (até 28 de dezembro), o Índice Cotlook A (referente à pluma posta no Extremo Oriente) caiu 8,6%. A alta de 9,5% da paridade de exportação em 2018, entre 28 de dezembro de 2017 e 28 de dezembro de 2018, foi impulsionada pela valorização do dólar frente ao Real de 17,1% no ano (até dia 28 de dezembro). 

 

De acordo com dados da BBM (Bolsa Brasileira de Mercadorias) tabulados pelo Cepea (até o dia 28 de dezembro), ao menos 63,3% da safra brasileira 2017/18, estimada em 2,005 milhões de toneladas, teria sido comercializada até o encerramento de 2018. Deste total, 56,3% foram direcionados ao mercado interno, 31,6%, ao externo e 12,1%, para contratos flex (exportação com opção para mercado interno).

 

EXPORTAÇÕES – De janeiro a dezembro, segundo dados da Secex, foram exportadas 915,5 mil toneladas de pluma brasileira, 9,8% acima do volume embarcado em todo ano de 2017. Após nove meses consecutivos em queda, a partir de agosto/18, quando houve maior disponibilidade da safra nacional 2017/18, os embarques se intensificaram, chegando a atingir, em dezembro/18, o volume recorde mensal, de 214,6 mil toneladas (considerando-se a série histórica da Secex iniciada em janeiro/96). Assim, o volume embarcado de agosto a dezembro representou 73,2% do total exportado em 2018. 

 

O faturamento de 2018 foi de US$ 1,6 bilhão, 16,9% superior ao de janeiro a dezembro de 2017. No acumulado de 2018, o preço médio em dólar, de US$ 0,7996/lp, aumentou 5,6% em relação ao ano anterior.

 

IMPORTAÇÕES – Ainda de acordo com a Secex, foram adquiridas 19,6 mil toneladas de pluma de janeiro a dezembro de 2018, 42% abaixo do volume total de 2017, de 33,6 mil toneladas. Sendo que, entre janeiro e julho, foram importadas o equivalente a 87,8% do total de 2018 (17,2 mil toneladas). Os preços de 2018 tiveram média de US$ 0,9989/lp, 11% inferior à de 2017. 

 

ASSESSORIA DE IMPRENSA: Outras informações podem ser obtidas por meio da Comunicação do Cepea: (19) 3429 8836 / 8837 e [email protected]

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FRANGO/CEPEA: Preço do vivo atinge recorde nominal da série do Cepea

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Cepea, 30/07/2021 – Com a boa liquidez no mercado da carne de frango, devido à forte demanda interna pela proteína mais em conta, o setor tem elevado as cotações do animal vivo. Segundo pesquisadores do Cepea, as altas ocorrem para acompanhar o custo de produção elevado, que, além dos insumos nutricionais, também lida com os impactos da crise hídrica e o aumento da energia elétrica. De acordo com dados do Cepea, na média das regiões do estado de São Paulo, o frango vivo foi comercializado a R$ 5,74/kg na parcial de julho, valor recorde nominal da série histórica do Cepea, iniciada em 2004, com alta de 5,9% em relação a junho. Fonte: Cepea (www.cepea.esalq.usp.br)

Fonte: CEPEA

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Agronegócio

LEITE/CEPEA: Preço do leite captado em junho é recorde da série histórica do Cepea

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Cepea, 29/07/2021 – O preço do leite captado em junho e pago ao produtor em julho chegou a R$ 2,3108/litro na Média Brasil” líquida, recorde real (dados deflacionados pelo IPCA de jun/21) da série histórica do Cepea, que se iniciou em 2005. As altas foram de 5% na comparação com o mês anterior e de 21,8% frente ao mesmo período do ano passado, também em termos reais.

O Índice de Captação Leiteira (ICAP-L) do Cepea registrou alta de 2,12% de maio para junho, puxado pela elevação média de 5,5% na captação dos estados do Sul do País. No entanto, o aumento dos custos de produção e o período de estiagem limitaram a oferta e intensificaram a concorrência entre as indústrias de laticínios para garantir a compra de matéria-prima durante o mês de junho – ocasionando a alta nos preços.

Dessa forma, a elevação dos preços não reflete aumento de rentabilidade – mas, sim, pressão de custos. Para se ter uma ideia, basta comparar o poder de compra do pecuarista leiteiro frente ao milho, insumo básico da atividade. Na média de janeiro a julho de 2021, foram precisos 44,67 litros de leite para adquirir uma saca de 60 kg de milho (base Campinas -SP), enquanto na média do mesmo período do ano passado, eram necessários 35,20 litros – o que representou uma perda no poder de compra de 26,9% em apenas um ano.

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Com estoques de derivados enxutos, as indústrias acirraram a competição pela compra de matéria-prima em junho. Nesse mês, as negociações de leite spot estiveram aquecidas, e o preço médio em Minas Gerais, por exemplo, chegou a R$ 2,78/litro, valor 17% acima da média de maio. Com o leite mais caro no campo, a indústria precisou elevar os preços dos derivados lácteos e repassar a alta da matéria-prima ao consumidor. O queijo muçarela, o leite UHT e o leite em pó negociados entre indústria e atacado de São Paulo se valorizaram 16,1%, 8,6% e 2,6%, respectivamente, em relação a maio/21 – o que sustentou a valorização do leite captado em junho e pago ao produtor em julho.

PERSPECTIVA – O movimento altista no mercado de derivados lácteos perdeu força em julho, uma vez que os preços dos lácteos estão em patamares muito elevados, o que começa a inviabilizar a demanda, já fragilizada pelo menor poder de compra do consumidor brasileiro. De acordo com pesquisa diária do Cepea, realizada com apoio da OCB, os preços médios da muçarela, do UHT e do leite em pó recuaram 2,8%, 1,5% e 0,8%, nessa ordem, entre junho e julho (considerando dados até 28/07). Junto a isso, os maiores volumes de lácteos importados nos últimos meses diminuíram a forte competição entre indústrias pela compra de leite no mercado spot (leite negociado entre indústrias) em julho. A pesquisa do Cepea mostrou que, em Minas Geais, o leite spot registrou média de R$ 2,52/litro em julho, queda de 9,4% frente a junho. Esses resultados evidenciam que, mesmo com custos de produção ainda em alta e clima desfavorável à atividade, o preço do leite captado em julho e pago ao produtor em agosto pode não superar o do mês anterior.

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Gráfico 1. Série de preços médios recebidos pelo produtor (líquido), em valores reais (deflacionados pelo IPCA de junho/2021)

Fonte: Cepea-Esalq/USP.

ASSESSORIA DE IMPRENSA: Outras informações sobre o mercado lácteo aqui, por meio da Comunicação do Cepea e com a pesquisadora Natália Grigol: [email protected]

Fonte: CEPEA

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