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Agronegócio

Biocombustíveis: otimismo moderado

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A pandemia, iniciada em 2020, reduziu o consumo de combustíveis pelo Brasil e pelo mundo.

Biocombustíveis: otimismo moderado

Segundo a StoneX, mesmo com o cenário atual, ainda há a expectativa de crescimento anual de 4,9%, para um consumo de 20,19 milhões de m³ de biocombustíveis em 2021. Mas, no entanto, esta dinâmica ainda dependerá da evolução da pandemia, bem como da recuperação da economia nacional.

Segundo a Analista de Inteligência de Mercado na StoneX, Marina Malzoni ,no que tange à expansão do setor, o ano passado foi marcado por uma firme recuperação, tendo em vista os preços elevados do açúcar no mercado internacional, o que, em conjunto com o câmbio desvalorizado, favoreceu as exportações da commodity. “Essa dinâmica, aliada às perspectivas de que o consumo de etanol continue avançando nos próximos anos, pode corroborar aumentos de investimento no setor. Vale mencionar o RenovaBio, que estimula a produção e demanda por biocombustível e tem metas anuais de descarbonização até 2030”, explica.

Já Ana Luiza Lodi, também Analista de Inteligência de Mercado na StoneX, aponta que o setor de biodiesel está em expansão e deve continuar crescendo em 2021, principalmente motivada pela mistura obrigatória de 13%, iniciado no mês de março. “A busca por emitir menos carbono é uma pauta que está na agenda mundial. Aqui no Brasil, o RenovaBio é mais uma política que incentiva o setor”, complementa.

Para a consultoria, a retomada do setor é dependente do desempenho do diesel, que é ligado à atividade econômica. “O quanto o setor vai avançar em 2021 está ligado ao desempenho econômico. Se for positivo, tende a crescer mais. De qualquer forma, como a mistura obrigatória do biodiesel no diesel já é uma realidade”, explica Lodi.

Já as vendas de etanol pelas usinas na região Centro-Sul têm avançado no período recente, superando o observado no ano passado desde meados de janeiro. “Embora o consumo de diesel esteja mais correlacionado com o crescimento econômico, a demanda por combustíveis do Ciclo Otto também tende a ser explicada pelo PIB. As perspectivas para 2021 ainda irão depender da retomada econômica e da campanha de vacinação, a qual deverá vir mais consistente no segundo semestre. Caso a economia consiga de fato se reestabelecer, trabalhamos com a possibilidade de que as vendas de etanol hidratado ao mercado doméstico possam crescer 4,9% em 2021 — a depender da evolução da pandemia??´, elucida Malzoni .

Passado recente

O consumo de etanol hidratado foi prejudicado pela pandemia, já que a demanda doméstica apresentou uma retração anual de 14,6%, totalizando 19,26 milhões de m³ em 2020. Para Malzoni , após a firme queda observada em março e abril — momento em que as medidas de isolamento social se intensificaram — a procura pelo biocombustível voltou a se recuperar nos meses seguintes — reduzindo a diferença com o volume de vendas observado ao final de 2019.

Lodi pontua que o setor de biodiesel foi inicialmente afetado, mas apresentou recuperação, destacando que o consumo é pela mistura no diesel e a matriz de transporte de cargas é muito dependente do transporte rodoviário. A produção de biodiesel alcançou 6,43 bilhões de litros em 2020.

Em meio ao firme recuo na demanda por etanol, o preço do biocombustível nas usinas sofreu firme desvalorização em 2020, chegando a alcançar a mínima de R$ 1,66/L na primeira semana de abril em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, por exemplo. “Consequentemente, as usinas optaram por maximizar a produção de açúcar na safra 2020/21, em vista da maior remuneração do açúcar frente ao etanol. Com isso, a menor destilação do álcool corroborou a valorização da cotação Posto-Veículo-Usina do hidratado nos meses seguintes — a qual foi intensificada no início de 2021 em meio aos reajustes da Petrobras no preço da Gasolina A”.

Diante disso, é importante ponderar que o recuo das vendas de etanol também se deve à paridade de preço entre o biocombustível e a gasolina, que alcançou 70,5% na média de 2020, apresentando alta anual de 1,6 ponto percentual. Este indicador permaneceu acima da equivalência energética de 70% em boa parte do ano, favorecendo, portanto, o consumo de gasolina.

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Clima e atraso no plantio do milho safrinha confirmam impacto na produção nacional

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A produção nacional tende a ser menor que o esperado anteriormente, levando estoques finais a testarem volume abaixo de 10 mi ton

Clima e atraso no plantio do milho safrinha confirmam impacto na produção nacional

Apesar do plantio da segunda safra de milho 2020/21 estar em processo de finalização no Brasil, os atrasos motivados pelo ciclo mais tardio da soja e também pelo excesso de chuvas em fevereiro e março já trazem impactos nas perspectivas de rendimento em estados como Paraná, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.

Em sua revisão de abril, a consultoria StoneX trouxe corte de 4,5% na produção da safrinha em relação ao número divulgado em março, ficando em 77,65 milhões de toneladas. Mesmo com a queda, o resultado ainda configuraria recorde. 

“O corte da estimativa do Mato Grosso ficou perto de 3 milhões de toneladas. Mesmo com essas revisões, a safra de inverno ainda não está definida, com o clima em abril, e mesmo em maio, sendo determinante”, pondera a especialista de inteligência de mercado, Ana Luiza Lodi.

Balanceando as perdas esperadas para a segunda safra do cereal, o grupo trouxe um ajuste positivo para a produção da primeira safra de milho 2020/21, que passou para 25,63 milhões de toneladas, aumento de 230 mil toneladas frente a março. “Estados que plantam mais tarde e onde a safra ainda está finalizando o desenvolvimento, como Maranhão e Piauí, foram beneficiados por condições climáticas favoráveis”, ressaltou, em relatório.

A produção do verão tende a ser menor que a do ciclo passado, com quedas anuais em importantes produtores do milho verão, com Rio Grande do Sul, Minas Gerais, São Paulo e Goiás. Destaca-se que a estimativa de produção total do milho, considerando também a safrinha e a terceira safra da Conab (de 1,78 milhão de toneladas), recuou para 105,06 milhões de toneladas.

Os estoques finais podem voltar a ficar abaixo de 10 milhões de toneladas, situação que reforça o cenário de preços fortalecidos do cereal. “Assim como para a soja, a demanda ainda pode variar até o final do ciclo, mas as perspectivas são de crescimento importante no consumo doméstico, estimado em 72 milhões de toneladas”, resume a especialista Ana Luiza.

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Agronegócio

Diretoria da Heieken se reúne com Acrimat

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Ascom/Acrimat

A diretoria da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) recebeu a diretoria da Heineken Brasil para uma reunião virtual. Mauro Homem, diretor de Relações Corporativas, e Marina Ferreira, diretora de Assuntos Governamentais e Institucionais, representaram a multinacional. O pedido partiu da cervejaria de origem holandesa, uma das maiores do mundo.

Em nota, a entidade disse que o encontro serviu para que a empresa prestasse esclarecimentos sobre a postagem em suas redes sociais, no dia 20/3, em apoio ao “Dia Mundial Sem Carne”, instituído pela ONG norte-americana Farm (Fazenda), em 1985, e que levou a uma onda de indignação por parte dos produtores.

A Acrimat informa que a Heineken entrou em contato para, dentre outras coisas, pedir desculpas, além de afirmar que “farão o que for preciso para tentar mudar o cenário”.

Por conta da manifestação do setor pecuário e dos amantes da carne bovina, a cervejaria que mantinha uma faixa média de 200 a 300 comentários em seus posts no Instagram, viu esse número saltar para 28,4 mil interações – a maioria negativa. No Brasil, um dos principais mercados para a multinacional holandesa, a empresa tem em seu portfólio as marcas Heineken, Amstel, Baden Baden, Bavaria, Devassa, Eisenbahn, Glacia, Kaiser,Kirin Ichiban, No Grau, Schin, Sol e Xingu.

Em prol da carne bovina

O encontro com a Acrimat é a primeira de uma série de ações que a Heineken deverá promover para tentar se retratar com o pecuarista. Apesar de o post continuar na página da empresa, a aproximação é vista como positiva e pode trazer frutos ao setor, segundo o engenheiro agrônomo Celso Lacôrte, sócio fundador da Plano Consultoria Agropecuária.

“Temos que criar clima de paz e não de guerra, senão vamos sempre ser atacados. O ideal é mudar o jeito de nos comunicar e trazer quem está de fora para o nosso lado”, diz a pecuarista Érica Bannwart, presidente do Grupo Pecuária Brasil Rosa (GPB Rosa) e uma das herdeiras da fazenda do Engenho, no município paulista de Pirajuí.

Pecuária e a cevada

Para o setor, mostrar a sustentabilidade da produção de carne seria um bom começo para reverter a imagem da Heineken no meio. Mesmo porque a pecuária é parceira para tornar a produção de cerveja também sustentável. O resíduo úmido de cervejaria, o chamado bagaço de cerveja, pode fazer parte da dieta bovina, enquanto para a empresa o subproduto representa uma grande dor de cabeça no processo de fabricação da bebida por falta de destinação.

O pecuarista Antonio Roberto Alves Corrêa, com fazenda em Buri (SP), presidente da Associação Brasileira do Santa Gertrudis, compra 15 toneladas diárias de bagaço, subproduto com cerca de 25% de PB (proteína bruta) na matéria seca. Corrêa tem um confinamento com capacidade estática de 2 mil bovinos e abate 6 mil, por ano. O bagaço da cervejaria entra na formulação da dieta. Além disso, a ração de outros 1.000 animais de recria também leva o bagaço.

Fonte: Assessoria

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