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Cana em Janeiro: Grandes Incertezas Nesta Entressafra

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Cana em Janeiro: Grandes Incertezas Nesta EntressafraIsto numa área 2% menor, com melhor produtividade das lavouras, em função do clima favorável. Pelo CTC, considerando novembro, estamos com produtividade 4,2% maior quando comparado à safra passada, de 76,4 toneladas por hectare (contra os 73,3 t/ha). Já o ATR deve ir para 138,5 kg/ha contra os 137,9 kg/ha da safra anterior. O mix deve fechar em 34,3% para açúcar, produzindo 26,7 milhões de toneladas (0,7% a mais). No etanol teremos 33,1 bilhões de litros (7,1% a mais, sendo 9,72 bilhões de anidro e 23,42 milhões de litros de hidratado). A idade média dos canaviais é de 3,7 anos. Para a safra brasileira, incluindo o Norte/Nordeste, a CONAB estima em 642,7 milhões de toneladas. No final da safra demos uma boa reagida, havia mais temores de produtividade no início, mas o clima acabou ajudando.

Exportações do setor sucroalcooleiro cresceram 5,9% em novembro, chegando a US$ 660,21 milhões. No açúcar exportamos em novembro US$ 565,19 milhões (+3,6%), já no etanol foram US$ 91,57 milhões (+19,7%). Boa notícia!

A Bonsucro, que certifica 4% da área de cana no mundo, lançou uma plataforma de negociação de créditos. Sem dúvida é necessário estimular o pagamento de prêmios para os produtos certificados, pois num primeiro momento o processo provoca impactos nas contas dos produtores e apenas, segundo a empresa, 24% do que é certificado recebe prêmio pela sustentabilidade. Ou seja, aumentam os custos e não os preços. Essa plataforma permite aos compradores de açúcar adquirirem créditos e aos produtores a ofertá-los. O Brasil representa mais de 80% das certificações da empresa e isto pode criar oportunidades aos nossos produtores para receber pelos investimentos feitos.

A São Martinho anunciou os números da safra 2019/2020. Foram produzidas 1,1 milhão de toneladas de açúcar, 11,4% acima. De etanol foram 1,145 bilhão de litros, 7% a mais. A moagem atingiu 22,64 milhões de toneladas, quase 11% acima da safra anterior. O ATR fechou em 139,4 quilos por tonelada de cana, 2% abaixo. E o mix ficou em 37% para açúcar.

No açúcar, o primeiro trimestre da safra indiana ficou 30% aquém do ano passado, com produção de 7,8 milhões de toneladas (dados da ISMA). O teor de sacarose também está menor, devido ao alagamento que existiu em algumas regiões. A moagem também está atrasada. Preveem produzir 26,9 milhões de toneladas nesta safra, contra as 33,2 milhões da safra anterior (queda de 25% na produção). Finalmente!

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O Rabobank elevou a estimativa de déficit na safra 2019/20 em 3 milhões de toneladas desde sua última estimativa, agora está em 8,2 milhões de toneladas. Produções menores na UE, Índia e Tailândia. O desempenho da colheita nestes dois últimos países e o mix no Brasil são os fatores principais a serem monitorados. Os estoques mundiais ainda são grandes por isto os preços não reagem como deveriam.

Até o final de novembro, pelo levantamento da Archer, cerca de 5,5 das 19,5 milhões de toneladas que serão exportadas em 2020/21 já haviam sido fixadas, pouco mais de 28%. Usinas aproveitaram o melhor câmbio e preço em Nova York. Pela Archer, o valor médio foi de 13,01 centavos de dólar por libra-peso que representa praticamente R$ 1.230 FOB Santos. No ano anterior nesta época a média era de R$ 1.171 por tonelada. Açúcar também melhora este ano com a perspectiva de déficit maior no mundo e safra novamente direcionada ao etanol no Brasil, com os elevados preços do petróleo e o câmbio.

No etanol e na energia, em novembro, pela ANP, foram vendidos 1,982 bilhão de litros de hidratado. É 4% menor que as vendas de outubro, mas é o maior volume já visto no mês. No acumulado de janeiro a novembro temos 20,4 bilhões de litros, quase 18% a mais. A participação do etanol no ciclo Otto chegou a 44,6%. Como venho alertando aqui há uns 6 meses, teremos dificuldades, em se mantendo este consumo, para atravessar a entressafra. O preço terá que subir e veremos também importações de etanol dos EUA, apesar de até o momento estarem alinhadas ao ano passado. A situação se agrava com a subida de preços do petróleo com o problema do Irã. Preços do hidratado superaram os R$ 2/litro nas usinas, e segundo a SCA, preços no fechamento desta coluna estavam em R$ 2,50/litro na usina, com impostos.

A UNICA tem expectativa de vendas de 33,5 bilhões de litros no Centro Sul (10,3 bilhões de litros de anidro e 23,2 bilhões de hidratado). Com isto a participação do etanol chegará perto de 50% no ciclo Otto. Vejam que interessante quanto espaço ainda existe na frota atual para ser conquistado.

No etanol de milho a UNICA estima produção de 1,5 bilhão de litros. Isto é 90% acima dos quase 800 milhões da safra anterior. Diversas empresas estão estudando investimentos, entre elas a Raízen, Cofco, Amaggi e as usinas (fonte do Valor). Iniciando 2020, o parque brasileiro tinha 8 fábricas em funcionamento, 6 em construção e ao redor de 10 em projetos.

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O RenovaBio começou em 24 de dezembro, belo presente de Natal ao Brasil. Ainda estamos atrasados nos processos de certificação, mas teoricamente quem já está certificado pode começar a acumular os CBios nas vendas de combustível às distribuidoras, que têm obrigatoriedade de cumprimento de metas de descarbonização. Este ano observaremos o crescimento da oferta dos Créditos de Descarbonização (CBios).

De acordo com o MME a meta da distribuição é de adquirir 28,7 milhões de CBios (1 CBio = 1 tonelada de CO2 equivalente). São estas as distribuidoras e suas metas, de acordo com o MME e Valor: BR Distribuidora (7,866 milhões de CBios), Ipiranga (5,703 milhões de CBios), Raízen (5,134 milhões de CBios) e Alesat (970,6 mil CBios), com base nas participações de mercado do ano anterior.

Como serão comercializados na B3, acredita-se em grande transparência e funcionamento de futuros também. Continua válida a estimativa de pular dos atuais 35 bilhões de litros produzidos para 50 bilhões até 2030. Estima-se que 750 litros de etanol possam gerar 1 CBio, que teria um valor de US$ 10. Bonito ver um programa tão moderno como este começar a funcionar, um exemplo ao mundo.

O que observar agora em janeiro/fevereiro: o ponto principal neste momento é acompanhar a crise EUA x Irã e como isto vai afetar os preços do petróleo e importações de alimentos desta região. Este ponto afeta o consumo de hidratado, que segue forte, num momento que a safra está praticamente encerrada. Fora isto, o andamento das safras de açúcar na Índia e Tailândia, principalmente. Continuo achando que podemos começar a safra 2020/21 com preços do açúcar entre 14 e 15 cents/libra peso e preços mais elevados para o etanol, visando conter um pouco o consumo e atravessarmos a entressafra com o estoque existente. Este estímulo de preços pode levar a decisões de antecipar início de safra em algumas usinas. Em relação a esta safra, o valor do ATR vem saltando e acho que acertarei a previsão feita há uns 6 meses de que poderíamos ainda fechar com a média até acima de R$ 0,64/kg.

Marcos Fava Neves é Professor Titular (em tempo parcial) das Faculdades de Administração da USP em Ribeirão Preto e da FGV em São Paulo, especialista em planejamento estratégico do agronegócio. Confira textos, e outros materiais no site doutoragro.com e vídeos no canal do YouTube (marcos fava neves).

Fonte: Núcleo da Notícia

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Contaminação de ingredientes da ração animal por micotoxinas é mais comum do que se pensa

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As substâncias tóxicas produzidas por fungos são encontradas na maior parte das matérias-primas. Perdas no desempenho animal podem ser controladas por meio do uso de adsorventes eficazes.

A nutrição responde por mais de 70% dos custos de produção animal, o que exige atenção em relação à qualidade dos ingredientes da dieta. Além disso, a alta nos custos de produção é um alerta para as cadeias de proteínas animais, que precisam ser cada vez mais eficientes e garantir o melhor retorno econômico possível, com menos riscos. ”As chuvas dos últimos meses contribuíram para aumentar os níveis de umidade dos grãos durante a colheita. Esse é o cenário ideal para proliferação de fungos nos ingredientes da alimentação animal”, alerta Fernanda Andrade, gerente de programa Feed Safety da Trouw Nutrition.

O desafio está presente em todas as cadeias de produção, seja na avicultura, suinocultura, pecuária de leite, corte e piscicultura. A especialista da Trouw Nutrition destaca que, de maneira geral, praticamente todos as matérias-primas utilizadas na alimentação animal podem estar contaminadas por fungos, mas nem sempre é possível notar sua presença visualmente. “Outro problema crescente envolve as substâncias tóxicas produzidas por esses micro-organismos: as micotoxinas. Além de invisíveis, elas representam um problema sério na queda de desempenho dos animais e, em alguns casos, podem levar à morte”.

Fernanda Andrade cita a micotoxina Desoxinivalenol, mais conhecida como DON, encontrada em 37% das amostras analisadas pela Trouw Nutrition no último ano. No caso de bovinos, os altos níveis podem facilitar o aparecimento de doenças importantes, como a mastite. Já em suínos, o impacto pode representar queda de consumo de ração e aparecimento de distúrbios gástricos.

”Em casos como esse, os produtores perdem produtividade sem saber. As micotoxinas só são detectadas em análises laboratoriais, mas sabemos que a maior parte dos insumos está contaminada em maior ou menor nível, e por diferentes micotoxinas, que apresentam variados níveis de risco. Além disso, as micotoxinas são moléculas altamente estáveis, tornando o controle mais difícil. A boa notícia é que com esse conhecimento podemos definir melhores estratégias de prevenção e de tratamento”, relata a técnica.

Fernanda explica que a contaminação pode acontecer de forma simultânea, com mais de uma micotoxina. O resultado do efeito sinérgico entre elas é a redução da integridade intestinal e da atividade do sistema imune, deixando os animais mais susceptíveis às bactérias patogênicas. ”A maioria das micotoxinas é descrita como inibidoras da síntese de proteínas, ação necessária para os mecanismos de defesa do organismo”, complementa.

Uma vez contaminada por micotoxinas, a ração precisa receber tratamento adequado e seguro para os animais, sem impacto no seu consumo. A especialista da Trouw Nutrition sugere o uso de adsorventes como ferramenta para reduzir os impactos causados pela contaminação. “Os adsorventes sequestram as micotoxinas do trato digestivo dos animais para que sejam eliminadas nas fezes. É importante ressaltar que essa tecnologia atua apenas sobre as substâncias tóxicas, sem impacto nos nutrientes dos alimentos“.

“Um bom adsorvente deve ser capaz de combater micotoxinas em alta ou baixa concentração, proporcionar estabilidade em diferentes pHs e não sequestrar os minerais e vitaminas da ração”, diz Fernanda Andrade. “Evitar a contaminação pelos fungos é praticamente impossível, visto que as principais espécies toxigênicas estão disseminadas no ambiente, assim como nos insumos das rações. Com o uso de adsorventes na ração, o produtor toma uma iniciativa proativa e evita grandes prejuízos ao seu negócio“, aconselha a gerente da Trouw Nutrition.

Fonte: Assessoria

 

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Valor Bruto da Produção agropecuária deve atingir R$ 1,192 trilhão em 2021

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Novo recorde representa alta de 15,2% em relação ao ano passado

Valor Bruto da Produção agropecuária deve atingir R$ 1,192 trilhão em 2021

O Valor Bruto da Produção (VBP) da agropecuária, que projeta a receita do setor primário (dentro da porteira), deve bater um novo recorde e chegar a R$ 1,192 trilhão em 2021, alta de 15,2% na comparação com o ano passado, segundo estimativa da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

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Para a atividade agrícola, a previsão de faturamento para este ano é de R$ 798,69 bilhões, elevação de 19,3% na comparação com 2020, reflexo da safra de grãos e da alta dos preços das principais commodities no mercado internacional. O VBP da soja deve alcançar R$ 390 bilhões em 2021 (alta de 33,6%), enquanto o milho deve ter incremento de recita de 32,2%, chegando a R$ 160,41 bilhões.

Em relação à pecuária, a estimativa para 2021 é de alta de 7,6% frente a 2020 e o VBP deve superar R$ 394 bilhões. A carne bovina é o principal destaque, com previsão de crescimento de 14% no faturamento da cadeia (R$ 206,68 bilhões). O desempenho é resultado do aumento tanto de preços (11,7%) quanto da produção (2,4%).

O segmento de aves também é destaque na pecuária, com projeção de crescimento de 4,6% nesse ano na comparação com 2020. Assim, o valor bruto da produção do setor deve alcançar R$ 64,42 bilhões.

Segundo a CNA, o bom resultado do VBP é impulsionado principalmente por commodities produzidas no país (soja, milho, trigo e algodão). Uma das exceções neste ano tem sido o café. Embora seja uma commodity, a tendência é de redução do VBP da cultura em razão da queda de produção típica da cultura em anos de bienalidade negativa. 

Produtos voltados ao consumo doméstico, como tomate, mandioca e maçã, também apresentam tendência de retração no faturamento.

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