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Agronegócio

Covid-19 e o mercado de insumos agrícolas

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Covid-19 e o mercado de insumos agrícolasAs medidas restritivas adotadas por governadores e prefeitos para conter o avanço do vírus trouxeram consequências distintas para o setor produtivo no Brasil.

No caso do agronegócio, o cancelamento de diversos eventos (casamentos, congressos, festas entre outros) impactou em cheio o segmento de flores. As vendas se reduziram drasticamente, levando para o lixo boa parte da produção nos primeiros dias de quarentena. Agricultores familiares, por sua vez, que têm a renda dependente das vendas para escolas e feiras livres, tiveram dificuldades em escoar a produção. O maior receio era o desabastecimento de alimentos nas gôndolas dos supermercados, mas grande parte das redes tem contrato com distribuidores atacadistas e negociação direta com produtores e associações, reduzindo a chance de falta de alimentos.

Na área de insumos agrícolas, o segmento também enfrenta os efeitos da pandemia de covid-19, deixando muitos agentes do setor repletos de incertezas. Alguns países estão com as atividades portuárias interrompidas. A Índia, por exemplo, grande consumidora de fertilizantes, passa por “lockdown”, congestionando as operações dos portos. Já os Estados Unidos carregam os insumos para a próxima temporada normalmente. Quanto à China, grande exportadora de matérias-primas, por sua vez, a situação foi normalizada já em março/20 e, com isso, houve um desequilíbrio entre oferta e demanda mundial.

No caso dos fertilizantes, o preço internacional do fosfatado iniciou 2020 em alta. Nos primeiros quatro meses deste ano, a valorização acumulada do MAP foi de 15,7% no porto de São Petersburgo (Rússia), com média de US$ 295,2/tonelada nesse período. Porém, frente à média do primeiro quadrimestre de 2019, o recuo é de 21,6%. Ressalta-se que, em dezembro de 2019, a média do MAP havia sido a mais baixa desde o mesmo mês de 2003. Logo, a alta acumulada nos quatro primeiros meses deste ano não foi suficiente para superar o preço médio do fosfatado no porto para o mesmo período de 2019. A valorização do MAP do quadrimestre de 2020, por sua vez, se deve à redução de oferta porque muitas fábricas operaram com margem negativas.

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No caso da ureia, o preço médio acumulou alta de 3% nos quatro primeiros meses de 2020 no porto de Yuznhy (Ucrânia). O preço médio desse nitrogenado negociado no porto de Yuznhy havia registrado, em dezembro de 2019, o menor patamar desde agosto de 2017. A ureia chegou a se valorizar nos primeiros meses de 2020, mas a alta foi interrompida após as fortes quedas do barril do petróleo e de seus derivados. O preço médio foi de US$ 215,5/t no primeiro quadrimestre deste ano, 7% abaixo do mesmo período de 2019.

Quanto ao cloreto de potássio, houve queda acumulada de preço de 10,2% no porto de Vancouver (Canadá) de janeiro a abril de 2020, a US$ 229,8/t (frente ao primeiro quadrimestre de 2019, a baixa foi de 24%). O preço médio de abril de 2020 é o menor desde julho de 2007.

No Brasil, os preços médios da ureia e do MAP subiram, enquanto os do cloreto de potássio se mantiveram praticamente estáveis nos primeiros quatro meses de 2020. Segundo levantamento do Cepea, os valores da ureia acumularam altas de 23% no Centro-Oeste e 17% no Sul, no primeiro quadrimestre de 2020. No Centro-Oeste, o preço médio da ureia foi de R$ 1.786,8/t no primeiro quadrimestre de 2020, com leve retração de 0,4% em relação ao mesmo período do ano passado. No Sul, o nitrogenado teve média de R$ 1.702,6/t, retração de 4%.

O valor médio do MAP avançou 27% no Centro-Oeste e 24% no Sul, de janeiro a abril de 2020, com os preços médios desse período a R$ 2.015,7/t na primeira região (14% mais barato frente ao mesmo período de 2019) e a R$ 1.991,9 na segunda (13% inferior). Quanto ao cloreto de potássio (KCl), a elevação foi de 1,6% no Centro-Oeste, mas houve recuo de 1,1% no Sul. O preço médio da tonelada do KCl foi de R$ 1.745,6 no Centro-Oeste e de R$ 1.708,9 no Sul de janeiro a abril de 2020, sendo, respectivamente, 12% e 14% menores que os do mesmo período do ano anterior.

A desvalorização acumulada do Real frente ao dólar foi de 27% no primeiro quadrimestre. Em abril, a média da moeda norte-americana foi de R$ 5,33, a maior, em termos reais, desde setembro de 2005. O enfraquecimento da moeda nacional neutralizou, em parte, a transmissão das quedas internacionais dos preços dos fertilizantes para os valores domésticos. O frete rodoviário para o transporte de fertilizantes entre Paranaguá (PR) e Sorriso (MT) foi de R$ 250,6/t no primeiro quadrimestre de 2020, aumento de 6% em relação ao mesmo período do ano passado.

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No setor de defensivos agrícolas, os preços subiram no Centro-Oeste. O herbicida glifosato 720, o fungicida Protioconazol + Trifloxistrobina e os inseticidas metomil e Lambda cialotrina + tiametoxan se valorizaram 8,9%, 19%, 19,3% e 3,1%, respectivamente, no primeiro quadrimestre de 2020. Por outro lado, os valores dos mesmos produtos no Sul recuaram 5,5% para glifosato 720, 1,7% para o fungicida Protioconazol + Trifloxistrobina, 5,1% para o inseticida metomil e 3,7% para o Lambda cialotrina + tiametoxan.

Os comportamentos distintos nas variações dos preços dos defensivos agrícolas são justificados pela forma de negociação entre agentes nas duas principais regiões produtoras de grãos. No Centro-Oeste, predominam duas modalidades de comercialização de insumos: a venda direta entre a multinacional e o produtor e a negociação entre as revendas e o produtor. No Sul, a modalidade mais comum é entre as cooperativas e o produtor.

Soja e milho respondem por boa parte da produção agrícola do País e, assim, as precificações dos insumos agrícolas são balizadas pela rentabilidade dessas atividades. Portanto, produtores ficam atentos ao desempenho econômico do Brasil, pois acabam comprando insumos agrícolas sob influência do setor de grãos e precisam vender no mercado interno. O baixo crescimento econômico que se arrasta desde os últimos anos retraiu o consumo doméstico e a renda. No momento em que a economia começava a engrenar, a pandemia interrompeu a retomada de crescimento. O receio é que a roda da produção acabe rompendo por falta de receita, visto que a venda de uma safra financia a próxima temporada.

Mauro Osaki – Pesquisador da área de Custos Agrícolas do Cepea

Fonte: CEPEA

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Agronegócio

Vendas de máquinas agrícolas no país caem no semestre, mas projeção é de alta no ano

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As vendas de máquinas agrícolas e tratores no Brasil fecharam o primeiro semestre com queda de 1,3% na comparação com o mesmo período do ano passado, para 19.642 unidades, em meio a impactos da pandemia de Covid-19, informou nesta segunda-feira a associação nacional dos fabricantes de veículos Anfavea.

Mas a associação está confiante de que terá um segundo semestre melhor nas vendas de máquinas agrícolas e elevou as projeções para uma alta de 3% em 2020 —ante aumento de 0,5% na previsão de janeiro—, com o agronegócio sendo menos afetado pela crise do coronavírus, diante do impulso do câmbio nos preços das commodities.

No que diz respeito às chamadas máquinas rodoviárias, a Anafavea reduziu as estimativas para 2020, de uma alta de 22% prevista em janeiro, para queda de 24%, devido à menor demanda para construção de estradas, com a indústria fabricante de tratores sofrendo neste ano.

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Em junho, as vendas totais, de máquinas agrícolas e rodoviárias, somaram 3.910 unidades, alta de 0,9% ante maio e uma queda de 9,6% na comparação com o mesmo período do ano passado.

As vendas de tratores de rodas somaram 2.614 unidades, queda de 15% ante maio e de 23,4% na comparação com junho do ano passado, o que resultou uma baixa de 5% no primeiro semestre.

Já as vendas de colheitadeiras de grãos atingiram 734 unidades em junho, alta de 130,8% versus maio e de 39,3% na comparação com junho do ano passado. No semestre, o setor ainda vê recuo de 9%.

Contudo, após um primeiro semestre de negócios mais mornos em meio a incertezas relacionadas à crise do coronavírus, o setor de máquinas agrícolas espera uma movimentação maior dos agricultores nos seus últimos meses do ano, quando é semeada a safra de soja, a principal do país, conforme executivos ouvidos pela Reuters anteriormente.

Montadoras de máquinas agrícolas estão até mesmo reajustando preços para repassar o aumento de gastos com peças importadas encarecidas pela alta do dólar, e devem ter a seu favor a boa rentabilidade de produtores de grãos do Brasil, um dos poucos setores que, também pelo câmbio, obteve margens positivas neste momento de crise histórica.

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Já a comercialização de colhedoras de cana somou 52 unidades, aumento de 225% ante maio e de 160% na comparação com junho do ano passado. No semestre, as fábricas apontaram aumento de 24,2%, mesmo diante das dificuldades relatadas pelas usinas no mercado de etanol, enquanto as exportações de açúcar estão elevadas.

Fonte: Reuters

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Agronegócio

Algodão encerra junho com preço firme, mas competitivo no exterior

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“Isto foi possível em função da valorização do dólar em relação ao real e do avanço das cotações da pluma na Bolsa de Nova York”, explica o analista de SAFRAS & Mercado, Élcio Bento.

A média do CIF das indústrias paulistas fechou o mês de junho em R$ 2,72 por libra-peso. Quando comparado ao mesmo período do ano passado, acumulava alta de 0,74%. No FOB exportação do porto de Santos/SP, a indicação fechou o mês em 50,28 centavos de dólar por libra-peso (c/lb), com queda de 1,32% em relação ao mês anterior. Na comparação com contrato de maior liquidez da pluma negociado na Bolsa de Nova York (dez/00), o produto brasileiro estava 16,5% mais acessível. Há um mês, era 12,4% mais acessível.

“Esses números mostram que, mesmo com a alta dos preços em reais, o produto brasileiro aumentou a margem de competitividade em relação ao norte-americano”, pondera Bento.

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A competitividade brasileira é garantida basicamente pelo comportamento cambial. “Para se ter uma ideia, de junho de 2014 até os dias atuais os preços em dólar na Bolsa de Nova York apresentam uma queda acumulada de 24%. No mesmo período, convertendo-se essas cotações para a moeda brasileira, a alta acumulada é de 66%”, completa o analista.

Fonte: Agência SAFRAS

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