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Larissa Henrici: Descolonização da Moda

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Mas o que seria, então, a moda originária do Brasil?
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Mas o que seria, então, a moda originária do Brasil?

Nos últimos anos tem ganhado força um movimento que busca repensar a maneira pela qual se encara o mundo no chamado sul global. É o pós-colonial (ou estudos pós-coloniais ou pós-colonialismo, como também é referenciado), cujo objetivo central é dar voz e protagonismo ao pensamento e às visões de mundo dos povos originários de países que foram, em algum momento, colonizados. Além de produzir conhecimento, este movimento tem repercussões em muitas outras áreas da vida humana e se faz presente no cotidiano das pessoas mesmo que não se perceba.

A moda é um exemplo disso e ter o novo olhar sobre a maneira como nos vestimos seria uma insurreição contra os padrões que foram impostos pelos colonizadores e, por isso, tidos como hegemônicos nos países colonizados.

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Historicamente, os conceitos clássicos de moda sempre estiveram ligados à Europa, sendo a França considerada o berço da moda mundial e detentora da prática de alta costura. O processo de subversão dessa visão e a valorização daquilo que é local e originário são fundamentados, justamente, pela perspectiva decolonial e acontecem em países da América Latina, no continente Africano e na Oceania.

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Mas o que seria, então, a moda originária do Brasil?

Seria muito difícil pensarmos em lago genuinamente brasileiro pelo próprio modo como o país se formou. A primeira participação do Brasil na moda global se deu na lógica colonial e extrativista, através das tintas de cor vermelha, que eram obtidas da madeira pau-brasil para tingimento de roupas. Diante disso, o mais sensato é evidenciar os povos originários, a cultura afro-brasileira e as culturas regionais de um país continental e plural, assim como, atualmente, dar destaque às produções que vêm das periferias.

Ainda assim é possível observar algumas expressões culturais no campo da moda que, mesmo que tenham sido impactadas pela influência europeia, se mantêm como importantes referências de identidades e práticas locais, a exemplo da chita, de influência indiana e que foi trazida pelos portugueses; o linho, que mesmo não sendo uma fibra natural do Brasil tem grande importância nacional e regional, no Ceará; e produções com o jeans, trazido dos Estados Unidos, e com o couro, também “importado” uma vez que, originalmente, não havia bois no território brasileiro.

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Os produtos que são fruto de releituras, a partir da perspectiva do processo de descolonização, também têm apelo no mercado e se tornam importantes fontes de renda para as pessoas que os fazem. Neste sentido, o capim dourado do Jalapão pode ser um exemplo, assim como a renda de bilro, uma técnica que foi trazida ao Brasil pelos portugueses e se concentra, hoje, em São Luís e Florianópolis.

Essa utilização de saberes regionais para a produção contemporânea é o caminho a se seguir da moda brasileira, que deve referenciar suas raízes e ser coletiva, diversa, descentralizada e estar em sintonia com a natureza. A moda é capaz de oferecer um caminho para a leitura da sociedade em um determinado tempo histórico e que a sua reinvenção deve ser, portanto, encarada como resistência, um ato político.

Fonte: IG Mulher

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Rômulo Arantes Neto posa com apenas uma toalha preta

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Mario Testino  fez o ensaio com Rômulo Arantes Neto
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Mario Testino fez o ensaio com Rômulo Arantes Neto

Conhecido por sua ousadia, o fotógrafo peruano Mario Testino, já fotografou inúmeras celebridades, como a Madonna e a Lady Di. Entre os seus ensaios mais famosos com artistas brasileiros, fotos posadas nuas com apenas algumas toalhas têm se tornado as favoritas do fotógrafo, já tendo posado para ele nomes como Bruna Marquezine e Cauã Reymond. 

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Recentemente, o mais novo famoso que adentrou à seleta lista de modelos do fotógrafo foi o ator Rômulo Arantes Neto, que teve a sua foto divulgada no domingo (07), aparecendo apenas de óculos escuros e com uma pequena toalha preta cobrindo as partes íntimas. 

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“BLACK TOWEL, ROMULO ARANTES, 2022”, escreveu Mario Testino  na legenda da publicação. 

Além de Rômulo, a topmodel Isabeli Fontana também posou para Testino, em uma foto ousada a beira da piscina com uma toalha preta no ombro que corre por seu corpo.


Fonte: IG Mulher

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Agosto lilás: Violência patrimonial restringe independência feminina

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No Brasil, milhões de mulheres sofrem com a violência patrimonial todos os dias
Foto: Unsplash

No Brasil, milhões de mulheres sofrem com a violência patrimonial todos os dias

Em celebração aos 16 anos da Lei Maria da Penha, o mês de agosto é conhecido como o mês da luta contra a violência doméstica. A lei, que foi criada em 7 de agosto de 2006, estabelece 46 artigos que buscam proteger a integridade física e psicológica da mulher. 

Entre as formas de violência doméstica descritas na legislação federal, uma das menos conhecidas e debatidas pelos brasileiros é a violência patrimonial.

O artigo 7 da Lei Maria da Penha define a violência patrimonial como “qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades”.

Na maioria dos casos, as vítimas são mulheres que não têm fonte fixa de renda e dependem de parceiros para sobreviver. “Diversos motivos podem prender uma mulher nessa armadilha, como a dependência financeira e o medo de prejudicar os filhos. Porém, a questão emocional tende a pesar mais’’, afirma Lana Castelões, advogada de família da Albuquerque Advogados.

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De acordo com a especialista, esse tipo de violência ainda é pouco denunciada no país. “A violência patrimonial é comum, porém subnotificada, tendo em vista que, na maioria dos casos, as vítimas desconhecem a possibilidade de registrar a ocorrência’’.

Para a advogada, as vítimas não têm conhecimento das medidas legais que podem guiar a situação. Desde 2015, a falta de pagamento de pensão também se enquadra na lei. “Muitas pessoas não sabem que esse crime se encaixa quando um responsável legal, que tem recursos financeiros, deixar de pagar pensão alimentícia para a mulher’’.

Desigualdade

A desigualdade de gênero é um fator predominante nesse crime. As demandas de casa e o cuidado com os filhos geralmente restringem as mulheres na posição de ‘dona de casa’. Sem a chance de trabalharem ou conquistarem a independência financeira, essas vítimas passam a depender financeiramente e emocionalmente dos parceiros.

A pesquisadora Clara Fagundes reflete que, nos últimos anos, as mulheres ganharam mais espaço no mercado, mas ainda não existe liberdade para o gênero. ‘’Mulheres ainda são impedidas de buscar a independência financeira, seja por regras religiosas ou políticas que prejudicam a ascensão materna no mercado, seja por relações familiares abusivas ou crenças machistas’’.

A profissional afirma que a falta de representatividade, a dissociação do feminino à ideia de liderança, a priorização do amor romântico, a sobrecarga feminina com os trabalhos domésticos e a ideia sexista de que existem trabalhos de homem e de mulher são os principais fatores que afastam as mulheres dessa liberdade.

Mulheres não conseguem se libertar da violência patriarcal por diversos fatores
Foto: Fundação CEPERJ

Mulheres não conseguem se libertar da violência patriarcal por diversos fatores

“A cultura patriarcal também impacta as mulheres de forma individual. A falta de confiança é um obstáculo para muitas na busca pela sua independência. Esse fenômeno pode ser chamado de “síndrome da impostora” e leva mulheres a questionarem sua capacidade todos os dias, em casa ou no trabalho’’.

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Para Fagundes, a falta de oportunidades no mercado pressiona mulheres a continuarem em relações abusivas e degradantes. “Mulheres com poder de decisão sobre a própria vida costumam ser também independentes financeiramente’’, declara.


Por mais que não existam dados nacionais sobre a violência patrimonial, o Dossiê da Mulher, produzido no Rio de Janeiro, conseguiu datificar as problemáticas em torno desse crime. De acordo com a análise, que é realizada anualmente no estado carioca, 79,3% dos casos dessa violência foram praticados dentro de casa.

Furto de documentos é uma forma de violência patrimonial que tenta apagar a liberdade e identidade de mulheres
Foto: André Leonardo

Furto de documentos é uma forma de violência patrimonial que tenta apagar a liberdade e identidade de mulheres

Entre os tipos de crime, 50,4% foram de dano, 41,8% foram violação de domicílio e 8,8% foram de roubo de documentos.

Uma das mulheres que tiveram de lidar com a violência patrimonial foi a vendedora C.I*. O crime aconteceu sem que ela percebesse: ‘’Eu tinha um relacionamento há 6 anos e era casada há 3 anos. Um dia, eu saí para trabalhar e, quando retornei, ele tinha vendido todas as minhas coisas’’, diz. “Ele sumiu com tudo, só estavam minhas roupas por lá’’.

O parceiro, na época, chegou a deixar os filhos de C.I* passarem fome. Depois dessa situação, ela percebeu que precisava terminar a relação. ‘’Foi aí que eu dei um basta em tudo’’.

Para a matriarca, é necessário muita força e coragem para conseguir ser independente. ‘’Seja forte e corajosa para dar um basta. Pode parecer o fim, pode parecer que nada mais tem faz sentido e que a dor nunca vai passar. Com o tempo, eu juro que a dor vai embora’’, finaliza.

Fonte: IG Mulher

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