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LEITE/CEPEA: Preço do leite captado em junho é recorde da série histórica do Cepea

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Cepea, 29/07/2021 – O preço do leite captado em junho e pago ao produtor em julho chegou a R$ 2,3108/litro na Média Brasil” líquida, recorde real (dados deflacionados pelo IPCA de jun/21) da série histórica do Cepea, que se iniciou em 2005. As altas foram de 5% na comparação com o mês anterior e de 21,8% frente ao mesmo período do ano passado, também em termos reais.

O Índice de Captação Leiteira (ICAP-L) do Cepea registrou alta de 2,12% de maio para junho, puxado pela elevação média de 5,5% na captação dos estados do Sul do País. No entanto, o aumento dos custos de produção e o período de estiagem limitaram a oferta e intensificaram a concorrência entre as indústrias de laticínios para garantir a compra de matéria-prima durante o mês de junho – ocasionando a alta nos preços.

Dessa forma, a elevação dos preços não reflete aumento de rentabilidade – mas, sim, pressão de custos. Para se ter uma ideia, basta comparar o poder de compra do pecuarista leiteiro frente ao milho, insumo básico da atividade. Na média de janeiro a julho de 2021, foram precisos 44,67 litros de leite para adquirir uma saca de 60 kg de milho (base Campinas -SP), enquanto na média do mesmo período do ano passado, eram necessários 35,20 litros – o que representou uma perda no poder de compra de 26,9% em apenas um ano.

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Com estoques de derivados enxutos, as indústrias acirraram a competição pela compra de matéria-prima em junho. Nesse mês, as negociações de leite spot estiveram aquecidas, e o preço médio em Minas Gerais, por exemplo, chegou a R$ 2,78/litro, valor 17% acima da média de maio. Com o leite mais caro no campo, a indústria precisou elevar os preços dos derivados lácteos e repassar a alta da matéria-prima ao consumidor. O queijo muçarela, o leite UHT e o leite em pó negociados entre indústria e atacado de São Paulo se valorizaram 16,1%, 8,6% e 2,6%, respectivamente, em relação a maio/21 – o que sustentou a valorização do leite captado em junho e pago ao produtor em julho.

PERSPECTIVA – O movimento altista no mercado de derivados lácteos perdeu força em julho, uma vez que os preços dos lácteos estão em patamares muito elevados, o que começa a inviabilizar a demanda, já fragilizada pelo menor poder de compra do consumidor brasileiro. De acordo com pesquisa diária do Cepea, realizada com apoio da OCB, os preços médios da muçarela, do UHT e do leite em pó recuaram 2,8%, 1,5% e 0,8%, nessa ordem, entre junho e julho (considerando dados até 28/07). Junto a isso, os maiores volumes de lácteos importados nos últimos meses diminuíram a forte competição entre indústrias pela compra de leite no mercado spot (leite negociado entre indústrias) em julho. A pesquisa do Cepea mostrou que, em Minas Geais, o leite spot registrou média de R$ 2,52/litro em julho, queda de 9,4% frente a junho. Esses resultados evidenciam que, mesmo com custos de produção ainda em alta e clima desfavorável à atividade, o preço do leite captado em julho e pago ao produtor em agosto pode não superar o do mês anterior.

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Gráfico 1. Série de preços médios recebidos pelo produtor (líquido), em valores reais (deflacionados pelo IPCA de junho/2021)

Fonte: Cepea-Esalq/USP.

ASSESSORIA DE IMPRENSA: Outras informações sobre o mercado lácteo aqui, por meio da Comunicação do Cepea e com a pesquisadora Natália Grigol: [email protected]

Fonte: CEPEA

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MACRO/CEPEA: Inflação em 2021 está menos associada aos choques de oferta e aos preços de alimentos

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Cepea, 17/09/2021 – Em 2020, a inflação dos alimentos (de 14,1%), influenciada sobretudo pela disparada do dólar, foi três vezes maior que a inflação oficial ao consumidor, medida pelo IPCA (de 4,52%). Já em 2021, a inflação, turbinada pelo aumento da expectativa de inflação, caminha para ser elevada, ao passo que o ritmo de avanço no preço dos alimentos está menor – com esses demonstrando certa estabilidade, em patamar elevado.

Segundo análise divulgada hoje pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, em 2020, os preços dos alimentos foram influenciados fortemente pelo dólar, que acarreta, especialmente, em elevação dos custos de produção e que favorece as exportações do agronegócio. Pesaram também na alta dos preços dos alimentos em 2020 as mudanças nos padrões de consumo associadas à pandemia, o timing e o montante bastante alto da transferência pública de renda (auxílio emergencial), os desarranjos das cadeias produtivas, problemas climáticos e a elevação dos preços internacionais das commodities. 

Para 2021, apesar da certa estabilidade nos preços dos alimentos, estes permanecem elevados. De um modo geral, os destaques das quedas de preços nos oito primeiros meses deste ano são para arroz, óleo de soja, batata, tomate e feijão carioca. No caso das carnes, o movimento segue sendo de alta, mas de forma menos intensa. Por outro lado, o açúcar tem se valorizado com força, assim como fubá e mandioca. Nestes casos, pesquisadores do Cepea ressaltam que problemas climáticos reduziram o volume estimado de produção – especialmente de cana, café, milho e feijão –, além de terem prejudicado as pastagens. Com isso, os preços das carnes também foram influenciados pelo lado dos insumos – grãos, basicamente – e diretamente pelo clima. Ainda, a exportação do agronegócio até 15% maior do que em 2020 sinaliza para sustentação no custo da alimentação.

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Quanto à inflação geral, em 2021, vem sendo turbinada pelo aumento – como mostra a pesquisa Focus, do Banco Central – da expectativa de inflação. O Banco Central se viu na necessidade de iniciar uma escalada nos juros. O aumento das expectativas é altamente preocupante, pois tende a provocar overshooting (aumento mais do que proporcional) da inflação.

A desancoragem das expectativas pode ser atribuída à percepção dos agentes de mercado de que a credibilidade do Banco Central não seria suficiente para conter a alta de preços provocada pelos problemas nas cadeias produtivas domésticas e pela alta dos preços internacionais, mas, principalmente, pela aceleração, fora do controle, do dólar em 2020. Essa alta da moeda norte-americana (e permanência em nível muito elevado) no Brasil foi e é, em grande medida, devida ao aumento do risco-país em vista da insegurança decorrente do comportamento imprevisível das instituições – envolvendo os três poderes da República – cujos embates afastam os investidores estrangeiros. Mesmo o investimento por brasileiros fica limitado, como indicam os dados do IBGE.

Não está claro, no horizonte de médio prazo, como e quando esse quadro nefasto será superado.  As normalizações do dólar e dos juros ficam na dependência de uma reviravolta institucional que aumente a segurança e reduza os custos de fazer negócios no Brasil.

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Pesquisadores do Cepea indicam que, como consequência, percebe-se que o processo de aceleração inflacionária de 2021 é menos associado aos choques de oferta e desarranjos das cadeias produtivas – que permanecem, é claro – e mais relacionado à uma agressiva difusão da alta de preços para os diversos setores econômicos da economia doméstica. Os agentes procuram elevar – na medida que a recessão permite – seus preços, tendo em vista tanto a recomposição devido à alta passada da inflação como também preventivamente diante das expectativas de alta que, assim, vão se confirmando. Esse processo é consequência do quadro institucional problemático que campeia no Brasil. A elevação dos juros é a única arma disponível ao setor público, mas tem elevados custos sociais (desemprego e queda de renda) e financeiros (aumentos do custo da dívida pública) e econômicos (desestímulo ao investimento e ao consumo de duráveis). Ademais, o efeito dos juros altos sobre o controle da inflação é tipicamente demorado, demandando recessão forte e prolongada – até vários anos – antes que surta o efeito desejado.

Num quadro de inflação alta e renitente maior agilidade e eficiência em programas de médio prazo (e não improvisados) de transferência de renda são imprescindíveis para que não recaia sobre os mais pobres os custos da incompetência das instituições de agirem harmonicamente e promoverem as reformas de que o Brasil tanto necessita para um futuro com mais renda e menor pobreza e desigualdade.

Fonte: CEPEA

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IPPA/CEPEA: Influenciado especialmente por geadas, IPPA/CEPEA avança em agosto

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Cepea, 17/09/2021 – Em agosto, o IPPA/CEPEA (Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários) avançou 2,7%, em termos nominais, frente a julho de 2021. Os índices de todos os grupos de produtos registraram alta no mês, com destaque para o IPPA-Hortifrutícolas, de 6,6%; seguido pelo IPPA-Cana-Café, de 4,5%; pelo IPPA-Grãos, de 3,1%; e, por fim, pelo IPPA-Pecuária, de 1,1%. Entre os hortifrutícolas, houve forte elevação no preço médio da batata, que teve a sua colheita limitada na maioria das regiões, como efeito direto das geadas. De forma semelhante, a geada prejudicou a oferta de banana, que apresentou perda da qualidade dos cachos, e de uva, ao retardar a sua maturação para a colheita, fazendo com que os seus preços médios reagissem. O fenômeno climático foi responsável, também, por trazer prejuízos às lavouras de café, fazendo com que o preço médio subisse com força em agosto. O preço médio da cana-de-açúcar, por sua vez, apresenta aumento consecutivo desde janeiro. Entre os grãos, os preços médios de todos os produtores registraram incrementos nominais em agosto. Na pecuária, por fim, com exceção do boi gordo, os preços médios dos demais produtos registram alta nominal, em especial, dos ovos, cuja oferta foi limitada pelo descarte das poedeiras e a demanda, impulsionada pelo retorno às aulas e pela mudança do padrão de consumo da população. Na mesma comparação, o IPA-OG-DI Produtos Industriais, calculado e divulgado pela FGV, caiu 0,14% – logo, de julho para agosto, os preços agropecuários subiram frente aos industriais da economia. Fonte: Cepea (www.cepea.esalq.usp.br)

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Fonte: CEPEA

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