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Mato Grosso

Planejamento em longo prazo: a participação das gestões no Judiciário do futuro

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Na quarta matéria da série sobre os avanços tecnológicos no Poder Judiciário de Mato Grosso vamos mostrar que eles só ocorreram por que as gestões mantiveram compromissos e trabalharam com perspectiva de continuidade em longo prazo. O descontinuamento do Sistema Apolo e a migração do acervo processual da Primeira Instância para um único sistema de gerenciamento de processos eletrônicos, o Processo Judicial Eletrônico (PJe) foi iniciado há alguns anos, quando outras gestões tomaram atitudes maduras de investimento na tecnologia escolhida. A conclusão se deu na atual gestão, mas o trabalho é considerado fruto de uma semente. “Temos gestores de grande responsabilidade no Poder Judiciário de Mato Grosso. Hoje colhemos os resultados das sementes plantadas há alguns anos, mas podemos usar esta analogia bem apropriada em nosso Estado, que tem a agricultura como uma de suas forças, pois enfrentamos intempéries, desde a escolha das sementes, passando por períodos de longa estiagem de recursos, mas os gestores e equipes foram resilientes e mantiveram o compromisso com a sociedade. A melhor semente foi escolhida, foi regada e adubada, o terreno fértil ajudou, mas sem a atitude e a persistência, não teríamos tamanho resultado”, analisou o corregedor-geral da Justiça, desembargador José Zuquim Nogueira.
 
Ele ainda ressaltou que as ações contaram com o apoio essencial da Presidência e Vice-Presidência. “As frentes de investimentos, como as digitalizações dos processos dependem de ações conjuntas entre Presidência, Vice e Corregedoria. Agradeço o enorme apoio que tivemos da presidente Maria Helena e da vice, Maria Aparecida, para alcançarmos nosso intento. Por meio delas, agradeço a todas e todos os presidentes e vices, que nos antecederam, pois compreenderam a necessidade de investirmos nestas áreas tão sensíveis”, concluiu o corregedor.
 
Rubens de Oliveira Santos Filho (gestão 2011/2012). O início do PJe. Piloto de sucesso.
A integração do Sistema CIA (aglutinando Gedoc e Atenas); a implantação do Primus nas secretarias judiciárias (que integrou o Geacor, e Geacor Web); o lançamento da folha de pagamento única; a implantação do Zimbra no TJMT, sistema mais moderno de gerenciamento de e-mails; e ainda o SDK (hoje SDM), que permite aos usuários suporte mais rápido e de forma virtual, eram os principais desafios do Judiciário na gestão 2011/2012, até a data de 5 de dezembro de 2011. Quando houve a implantação do Processo Judicial Eletrônico (PJe).
 
“Pra mim foi simples. Tínhamos que atender determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que queria a modernização e celeridade na prestação jurisdicional via sistema nacional. E nossa gestão tinha como meta proporcionar as mesmas, celeridade e modernização. Algo que precisamos superar na época era o enorme distanciamento de recursos e a aplicação entre as Justiças do Trabalho e Federal. Os Tribunais Estaduais desenvolveram suas próprias soluções de TI, enquanto os Tribunais Federais aderiram de imediato à solução do CNJ, então eles estavam muito a nossa frente. Este foi um enorme desafio que vencemos também”, enfatizou o desembargador Rubens.
 
O projeto piloto do PJe foi implantado no recém criado Juizado Especial da Fazenda Pública. Além da economia, o PJe trouxe diversas vantagens, como a redução do tempo em tramitação do processo, melhoria dos serviços prestados, melhor controle, maior segurança, possibilidade de trabalho à distância e sistema em operação 24 horas por dia, sete dias por semana.
 
“Conseguimos enxergar a necessidade e redirecionamos nossa força de trabalho e investimentos. Qualquer mudança tende a desenvolver resistências no primeiro momento, mas bancamos isto. De imediato possibilitamos o aperfeiçoamento dos fluxos já existentes e a construção de novas iniciativas voltadas à melhoria e ao aperfeiçoamento do sistema PJe”, considerou o magistrado.
 
Paulo da Cunha (gestão 2015/2016). Avanços e preparação.
O PJe foi implantado em 121 órgãos julgadores de Primeiro e Segundo Graus (18 de janeiro de 2016. O TJMT foi pioneiro, juntamente com o Tribunal de Justiça do Paraná), entre Varas Judiciais, Centrais de Mandados, Centrais de Conciliação, Juizados Especiais, Câmaras e Turma Recursal. Isso tudo apenas quatro anos após o início da implantação em Mato Grosso. Além do Tribunal de Justiça, Turma Recursal, 80 Varas Cíveis e 24 Juizados Especiais, movimentaram mais de 185 mil processos em todo o estado (dados de dez/2016).
 
Em quatro anos 76 mil processos físicos que consumiram 7.600 folhas de papel deixaram de tramitar de forma física. Em apenas cinco anos 7.530 árvores foram poupadas, quase 1milhão e 300 mil cartas foram transformadas em informação digital. Além de se poupar papel, os gastos financeiros também foram registrados, R$ 323.750 economizados.
 
A expansão do PJe na gestão 2015/2016 teve como motivo o compartilhamento. “O compartilhamento de responsabilidades. Tivemos o envolvimento de todas as áreas, não apenas a Tecnologia da Informação, mas com a dedicação dos servidores, juízes e desembargadores, que se esforçaram para entregar o melhor serviço possível à sociedade. As parcerias também foram essenciais. Como com a OAB-MT. Foram capacitados, ao longo de dois anos, aproximadamente 15 mil advogados em 30 municípios do Estado. Mais do que dar continuidade, pensamos em manter os avanços e sabíamos das necessidades de deixarmos uma equipe formada e capacitada para tanto. Preparamos 50 servidores para isso e tenho certeza que contribuímos para a continuidade dos avanços”, revelou o desembargador Paulo da Cunha, que continuou defendendo os avanços para a sociedade. ”Primeiramente, ganha o cidadão, que passa a dispor de uma Justiça mais célere e é nosso principal cliente. De outro lado, instituições, como Ministério Público, Defensoria Pública, Procuradorias do Estado e Municípios e órgãos de controle, também têm seus trabalhos facilitados a partir do momento da adoção de uma única ferramenta de tramitação da Justiça Brasileira. Ágil e de fácil manuseio”, disse o desembargador.
 
A Segunda Instância do PJMT recebeu o PJe em 18 de janeiro de 2016. Até abril de 2016 a Turma Recursal Única havia recebido 8.650 processos dos Juizados Especiais.
 
Rui Ramos Ribeiro (gestão 2017/2018). Ampliação, treinamento e internet.
Ao longo do biênio, o PJe foi expandido para 207 órgãos julgadores, alcançando o equivalente a 60% do total, e atingindo a marca de 600 mil processos registrados. Com a responsabilidade pelo suporte e segurança dos procedimentos, a TI ampliou a equipe de desenvolvimento do sistema e celebrou contratos de apoio para manutenção e tunning de bancos de dados (aplicação de mudanças visando a otimização do desempenho na recuperação ou atualização de dados).
 
Ainda houve a implantação da versão 2.0, trazendo para o usuário a facilidade de distribuição e gestão do processo sem a necessidade do Java para assinatura, tornando a tarefa mais leve e prática. A gestão também atuou no aprimoramento e criação de funcionalidades para melhora das atividades judiciárias como, por exemplo, a integração da jurisprudência do PJe ao acervo de pesquisa de todo o PJMT. A inovação trouxe facilidades como a busca pela classe processual ou nome das partes. Digitalização de processos físicos oriundos do Primeiro Grau e distribuição no PJe; Realização de oficinas (secretarias e gabinetes) de alinhamento de rotinas no PJe; Publicação do Manual de Rotinas de Secretaria do Segundo Grau(PJe); Mapeamento e moldagem de fluxos e rotinas para o PJe.
 
Dados foram apresentados pela gestão em relação ao uso do PJe. Impactos socioambientais, por estimativa:
• Cerca de 20.000 árvores deixaram de ser derrubadas
• 1milhão de litros de combustível deixaram de ser consumidos com deslocamentos até a unidade jurisdicional
• 950.000Kg/CO² deixaram de ser emitidos na atmosfera
• Cerca de 3 milhões e 500 mil cartas deixaram de ser encaminhadas pelos correios.
 
“Um dos grandes desafios em nossa época foi o de assegurar a banda necessária para o funcionamento do sistema em todo Estado. Travamos uma batalha com as operadoras de internet. Tínhamos o sistema, as pessoas aptas a operá-lo, mas ele necessitava da internet e esta condição técnica era infinitamente pior da que temos hoje. Penso que avançamos muito naquela época e agora na era do pós-covid e vamos avançar ainda mais, pois ficou claro que necessitamos desenvolver esta acessibilidade. Cito um exemplo pra deixar mais claro o emprego da tecnologia em nossa área: antes do PJe tínhamos que ter um aparato de segurança enorme, o que produzia grandes gastos para transportamos presos até os Fóruns para que fossem ouvidos pelos magistrados. Hoje a videoconferência resolve isso. Sem custos praticamente e com total segurança para a sociedade. Os esforços valeram muito e tenho certeza que eles continuarão. Onde isso vai parar? Não sei, mas sei que qualquer iniciativa que traga dignidade aos usuários da Justiça, contará com nosso apoio”, ressaltou o desembargador Rui.
Carlos Alberto Alves da Rocha (gestão 2019/2020). Conclusão da implantação.
 
O dia 17 de agosto de 2020 se tornou um marco na história do Poder Judiciário de Mato Grosso, como a data em que a instituição se tornou 100% digital, com o PJe implantado nas 341 unidades judiciárias. Neste biênio foram concluídos os 21% restantes da área civil e 100% na área criminal. Até outubro 140 mil processos foram digitalizados e 151.526 usuários do sistema cadastrados.
 
Em 2010 o TJMT registrou taxa de congestionamento de 82,35%. O ideal é que o índice fique abaixo ou até em 50%. A taxa de congestionamento líquida é calculada retirando do acervo os processos suspensos, sobrestados ou em arquivo provisório.
 
O Segundo Grau de Jurisdição do Tribunal de Justiça de Mato Grosso registrou taxa de congestionamento líquida de 35,76% no dia 29 de dezembro de 2020, foi registrada redução de 9,55% se comparada ao mês de janeiro do mesmo ano, quando possuía percentual de 45,31%. Entre 2014 e 2020 a taxa de congestionamento bruta baixou de 47,02%, em 2015, para 38,43% em 2020, foi a mais baixa já registrada na história da Justiça Estadual.
 
“Sabidamente a tramitação processual eletrônica é uma forma de democratizar o acesso à Justiça, o acesso às informações processuais e de tornar a prestação jurisdicional mais célere e econômica, além de derrubar as fronteiras e de contribuir para um ambiente mais sustentável. Diante de tantos benefícios o caminho mais assertivo era tornar o PJe realidade em 100% das unidades judiciárias e foi o que fizemos. É um marco sem dúvida para o Judiciário e para a sociedade. Além desse, outros investimentos tecnológicos foram feitos nessa área o que nos permitiu obter a menor taxa de congestionamento da história da Instituição. É o que a sociedade busca, a solução dos processos, sua finalização”, concluiu o desembargador Carlos Alberto, concluiu o desembargador Carlos Alberto.
 
#Paratodosverem Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual.
Descrição de imagem: Foto 1 colorida – O desembargador Rubens empunha microfone e fala para uma plateia. Ele discursa durante visita de conselheiros do CNJ. Ao fundo a arte do PJe, em azul e laranja. O presidente entre 2011 e 2012 está em pé e ladeado por conselheiros e pelo presidente eleito para o biênio seguinte, desembargador Orlando de Almeida Perri. Todos usam terno.
Foto 2 colorida – O desembargador Paulo da Cunha durante condução do Tribunal Pleno em sua gestão. Ele está sentado, com a mão esquerda levada ao queixo. Ele usa vestes talares.
Capa preta e corda trançada na corda vermelha. A corda é chamada de torçal. Ao fundo um brasão da República Federativa do Brasil em Dourado. Há um copo cheio de água em sua mesa.
Foto 3 colorida – Fachada da Escola dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso. Com fachada lateral futurista e estrutura com desenho arrojado em material de ferro e vidro, a Escola teve papel fundamental no treinamento de milhares de usuários do PJe.
Foto 4 colorida – O desembargador Rui está em pé. Ela usa gravata preta com detalhes em branco e toga preta, com corda torçal na cor vermelha.
Foto 5 colorida – Desembargador Carlos Alberto sentado à mesa e em frente a um notebook. Ele sorri e usa camisa e grava em tons azuis. No primeiro plano, livros, um copo de água e um recipiente com álcool em gel. No segundo plano, outro notebook e ao fundo uma estante com muitos livros.
 
Ranniery Queiroz
Assessoria de Imprensa CGJ
 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT

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Juiz da Corte Interamericana fala de medidas cautelares e prisão processual após a Lei Anticrime

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Medidas cautelares e prisão processual após a Lei Anticrime” foi o tema do painel 6 do evento jurídico “Pacote Anticrime – Avanços ou Retrocessos”, cuja mesa foi presidida pelo ministro do STJ Sebastião Reis, que destacou a importância do debate.
 
“São 911 mil presos, mais 350 mil mandados de prisão não cumpridos. Ou seja, se somarmos todos aqueles que deveriam estar presos teríamos uma população carcerária de 1 milhão e 200 mil pessoas, sendo que um percentual bem relevante – 35% ou 45% – sem decisão transitada em julgado, o que é mais assustador ainda. Esse tema precisa ser discutido”.
 
A palestra foi proferida pelo advogado do Distrito Federal Rodrigo Mudrovitsch, que é juiz da Corte Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA). Os debatedores foram o desembargador do TJMT Orlando Perri e o promotor de Justiça Caio Márcio Loureiro.
 
Em relação às medidas cautelares, para Mudrovitsch a nova norma “é um avanço, um mérito do Legislativo, mas, também numa esteira que já vinha sendo construída pela jurisprudência há muito tempo e que orienta algo que já vinha sendo construído pelo nosso texto constitucional que redimensiona as posições e objetivos do Direito Processual Penal e do Direito Penal”.
 
Apontou a necessidade de “ler o Pacote Anticrime em conjunto com a Lei de Abuso de Autoridade (13.869/2019), que tem dois tipos penais (no artigo 9º), que necessitam de mais debate. Os avanços certamente melhoram, mas ainda deixam dois pontos de preocupação: o juízo de garantias e trazer vida prática à Lei de Abuso de Autoridade nos dispositivos que mencionei”.
 
O palestrante destacou ainda o papel do juiz brasileiro na Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA de aproximar o país, debater e julgar casos de outros países, trazendo experiências do Direito Comparado.
 
Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Fotografia colorida com os integrantes do painel n. 6, onde aparecem, da esquerda para a direita, o desembargador Orlando Perri, o ministro Sebastião Reis, o advogado Rodrigo Mudrovitsch e o promotor de Justiça Caio Loureiro. Ao microfone está o ministro Sebastião Reis, com uma camisa azul clara.
 
Texto: Lídice Lannes (Assessoria de Imprensa da FESMP-MT)
Fotos: Bruno Lopes
 
 
 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT

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Justiça acata requerimento do MP e submeterá médica ao Tribunal do Júri

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O requerimento da 1ª Promotoria de Justiça Criminal de Cuiabá foi aceito pela Justiça, nesta segunda-feira (08), determinando que a médica Letícia Bortolini seja submetida a julgamento pelo Tribunal do Júri. Conforme a decisão de pronúncia, houve provas da materialidade e indícios suficientes da autoria delitiva. A ré responderá por homicídio qualificado pelo meio de que possa resultar perigo comum, além de omissão de socorro, se afastar do local do sinistro para fugir à responsabilidade e conduzir embriagada (artigos 304, 305 e 306 do Código de Trânsito Brasileiro, na forma do artigo 69 do Código Penal).

O crime aconteceu em 14 de abril de 2018, por volta das 19h35, na avenida Miguel Sutil, em frente à agência do Banco Itaú do bairro Cidade Verde. De acordo com a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso, a médica, “conduzindo veículo automotor com capacidade psicomotora alterada em razão da influência de álcool, em velocidade incompatível com o limite permitido para a via, assim como assumindo o risco de produzir o resultado, matou a vítima Francisco Lucio Maia”.

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Segundo o MPMT, após atropelar o verdureiro, a denunciada deixou de prestar socorro imediato à vítima, bem como afastou-se do local do acidente para fugir à responsabilidade civil e penal. Consta, ainda, que Letícia Bortolini, após a prática dos fatos, conduziu veículo automotor com capacidade psicomotora alterada em razão da influência de álcool. Após atropelar o verdureiro, a ré seguiu na condução do veículo, sob a influência de álcool, operando manobras em zigue-zague até a entrada do seu condomínio, no bairro Jardim Itália, conforme relato de testemunha.

Qualificadora – O promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins explica que a qualificadora emprego de meio de que possa resultar perigo comum é aquela que expõe, além da vítima, um número indeterminado de pessoas a uma situação de probabilidade de dano. Para ele, a testemunha ocular Bruno Duarte Pereira de Lins, que presenciou os fatos porque ajudava Francisco a empurrar o carrinho, poderia ter sido também vítima do atropelamento.

Fonte: MP MT

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