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Agronegócio

Por que a decisão do Japão de acabar com os veículos a gasolina abre oportunidades para as usinas de etanol do Brasil

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O Japão apresentou no último dia de Natal uma ambiciosa proposta: eliminar os veículos movidos a gasolina nos próximos 15 anos

Por que a decisão do Japão de acabar com os veículos a gasolina abre oportunidades para as usinas de etanol do Brasil

Com isso, o governo pretende zerar a emissão de carbono.

Por sua vez, essa meta faz parte do plano de crescimento sustentável até 2050 que, segundo noticia a Agência Reuters, prevê o investimento de quase US$2 trilhões por ano.

A boa notícia acalenta os japoneses com o presente natalino ambiental, mas também pode favorecer a indústria de etanol do Brasil.

Como assim?

É que a estratégia do Japão é substituir a venda de novos veículos movidos a gasolina por veículos elétricos, incluindo, segundo a Reuters, veículos híbridos e movidos a célula de hidrogênio.

Célula de hidrogênio: é aí que podem ser abertas oportunidades para usinas de etanol do Brasil.

Mas o que é célula de hidrogênio e o que ela tem a ver com o biocombustível da cana?

Em resumo, as células a combustível são dispositivos eletroquímicos que convertem energia química em um combustível (hidrogênio) diretamente em energia elétrica e calor e são consideradas uma tecnologia promissora para produção de energia, relata (leia aqui) o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), que tem centro de pesquisa focado em células a combustível e hidrogênio.

Normalmente, o método usado para produzir hidrogênio é a partir da reforma a vapor de hidrocarbonetos como o metano, fonte não renovável. Outra fonte pode ser o etanol, este sim renovável.

Vamos a um exemplo de como funciona um motor elétrico movido a célula-combustível a hidrogênio.

A Toyota já comercializa no Japão o modelo Mirai, que integra motor elétrico, uma bateria, dois tanques de hidrogênio de alta pressão e a célula-combustível a hidrogênio. O assoalho do veículo contém uma estação e é nela que ocorre a reação química para fazer o Mirai se movimentar (leia a respeito aqui).

A montadora destaca que o veículo capta o oxigênio da atmosfera e o leva até a estação, para onde o hidrogênio contido nos tanques é direcionado e onde é dividido pela célula-combustível em duas moléculas, o que gera uma carga elétrica.

É essa carga que faz o Mirai rodar. Sabe qual a autonomia de rodagem sem necessidade de reabastecimento? 650 km, segundo a empresa.

Vantagens do etanol na produção de hidrogênio

O Ipen destaca (aqui) que do ponto de vista econômico, produzir o hidrogênio a partir do etanol é melhor. Trata-se de uma alternativa interessante para reduzir o custo final do processo, atesta.

Mais: “a reação de reforma a vapor do etanol também apresenta certa vantagem, como o etanol a ser usado nesta reação precisa ser diluído”, relata.”

Além de possuir alta eficiência energética para processar o hidrogênio, o etanol, conforme o Ipen, é dotado de infraestrutura de produção e distribuição bem definida no País.

Sim, essa infra é gigantesca: quase 400 usinas produtoras espalhadas por 15 estados e perto de 45 mil postos com bombas de etanol. Ou seja: há biocombustível de sobra para ajudar no processo das células a combustível.

Toda essa infra pode ajudar o Brasil nas tecnologias de células a hidrogênio com etanol. Entre outras parcerias em desenvolvimento, estão a da Unicamp com a montadora Nissan (ler aqui).

Mas como viabilizar o hidrogênio ´de etanol´ brasileiro no Japão?

Transportá-lo?

Pode ser uma alternativa, com custos elevados, mas é. Outra delas é investir em plantas próprias de produção de etanol.

Pedro Mizutani, hoje presidente do Conselho de Administração do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), era executivo da Raízen em 2019 e passou os primeiros meses daquele ano no Japão com uma agenda bem definida: incentivar a introdução do etanol combustível no país.

“O etanol também precisa ser adotado nos transportes no país que é destaque em tecnologia”, disse Mizutani na época ao JornalCana (leia aqui).

A disseminação produtiva do etanol pelo mundo é um pilar defendido há muito por lideranças brasileiras do setor.

Sendo assim, criar plantas de biocombustível no Japão pode até exigir tempo, mas existe tempo e é preciso lembrar que as metas do governo local são para a partir de 15 anos.

Por fim, o setor sucroenergético do Brasil tem tecnologia de sobra e os fornecedores — sejam eles agrícolas ou da indústria — possuem capacidade para implantar projetos greenfields nos quais a usina começa a produzir em um prazo mínimo de dois anos.

Enfim, se o Japão contemplar a célula a hidrogênio a etanol o setor sucroenergético brasileiro terá pela frente uma nova janela de oportunidades.

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Contaminação de ingredientes da ração animal por micotoxinas é mais comum do que se pensa

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As substâncias tóxicas produzidas por fungos são encontradas na maior parte das matérias-primas. Perdas no desempenho animal podem ser controladas por meio do uso de adsorventes eficazes.

A nutrição responde por mais de 70% dos custos de produção animal, o que exige atenção em relação à qualidade dos ingredientes da dieta. Além disso, a alta nos custos de produção é um alerta para as cadeias de proteínas animais, que precisam ser cada vez mais eficientes e garantir o melhor retorno econômico possível, com menos riscos. ”As chuvas dos últimos meses contribuíram para aumentar os níveis de umidade dos grãos durante a colheita. Esse é o cenário ideal para proliferação de fungos nos ingredientes da alimentação animal”, alerta Fernanda Andrade, gerente de programa Feed Safety da Trouw Nutrition.

O desafio está presente em todas as cadeias de produção, seja na avicultura, suinocultura, pecuária de leite, corte e piscicultura. A especialista da Trouw Nutrition destaca que, de maneira geral, praticamente todos as matérias-primas utilizadas na alimentação animal podem estar contaminadas por fungos, mas nem sempre é possível notar sua presença visualmente. “Outro problema crescente envolve as substâncias tóxicas produzidas por esses micro-organismos: as micotoxinas. Além de invisíveis, elas representam um problema sério na queda de desempenho dos animais e, em alguns casos, podem levar à morte”.

Fernanda Andrade cita a micotoxina Desoxinivalenol, mais conhecida como DON, encontrada em 37% das amostras analisadas pela Trouw Nutrition no último ano. No caso de bovinos, os altos níveis podem facilitar o aparecimento de doenças importantes, como a mastite. Já em suínos, o impacto pode representar queda de consumo de ração e aparecimento de distúrbios gástricos.

”Em casos como esse, os produtores perdem produtividade sem saber. As micotoxinas só são detectadas em análises laboratoriais, mas sabemos que a maior parte dos insumos está contaminada em maior ou menor nível, e por diferentes micotoxinas, que apresentam variados níveis de risco. Além disso, as micotoxinas são moléculas altamente estáveis, tornando o controle mais difícil. A boa notícia é que com esse conhecimento podemos definir melhores estratégias de prevenção e de tratamento”, relata a técnica.

Fernanda explica que a contaminação pode acontecer de forma simultânea, com mais de uma micotoxina. O resultado do efeito sinérgico entre elas é a redução da integridade intestinal e da atividade do sistema imune, deixando os animais mais susceptíveis às bactérias patogênicas. ”A maioria das micotoxinas é descrita como inibidoras da síntese de proteínas, ação necessária para os mecanismos de defesa do organismo”, complementa.

Uma vez contaminada por micotoxinas, a ração precisa receber tratamento adequado e seguro para os animais, sem impacto no seu consumo. A especialista da Trouw Nutrition sugere o uso de adsorventes como ferramenta para reduzir os impactos causados pela contaminação. “Os adsorventes sequestram as micotoxinas do trato digestivo dos animais para que sejam eliminadas nas fezes. É importante ressaltar que essa tecnologia atua apenas sobre as substâncias tóxicas, sem impacto nos nutrientes dos alimentos“.

“Um bom adsorvente deve ser capaz de combater micotoxinas em alta ou baixa concentração, proporcionar estabilidade em diferentes pHs e não sequestrar os minerais e vitaminas da ração”, diz Fernanda Andrade. “Evitar a contaminação pelos fungos é praticamente impossível, visto que as principais espécies toxigênicas estão disseminadas no ambiente, assim como nos insumos das rações. Com o uso de adsorventes na ração, o produtor toma uma iniciativa proativa e evita grandes prejuízos ao seu negócio“, aconselha a gerente da Trouw Nutrition.

Fonte: Assessoria

 

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Valor Bruto da Produção agropecuária deve atingir R$ 1,192 trilhão em 2021

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Novo recorde representa alta de 15,2% em relação ao ano passado

Valor Bruto da Produção agropecuária deve atingir R$ 1,192 trilhão em 2021

O Valor Bruto da Produção (VBP) da agropecuária, que projeta a receita do setor primário (dentro da porteira), deve bater um novo recorde e chegar a R$ 1,192 trilhão em 2021, alta de 15,2% na comparação com o ano passado, segundo estimativa da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

vbp-abr-2021

Para a atividade agrícola, a previsão de faturamento para este ano é de R$ 798,69 bilhões, elevação de 19,3% na comparação com 2020, reflexo da safra de grãos e da alta dos preços das principais commodities no mercado internacional. O VBP da soja deve alcançar R$ 390 bilhões em 2021 (alta de 33,6%), enquanto o milho deve ter incremento de recita de 32,2%, chegando a R$ 160,41 bilhões.

Em relação à pecuária, a estimativa para 2021 é de alta de 7,6% frente a 2020 e o VBP deve superar R$ 394 bilhões. A carne bovina é o principal destaque, com previsão de crescimento de 14% no faturamento da cadeia (R$ 206,68 bilhões). O desempenho é resultado do aumento tanto de preços (11,7%) quanto da produção (2,4%).

O segmento de aves também é destaque na pecuária, com projeção de crescimento de 4,6% nesse ano na comparação com 2020. Assim, o valor bruto da produção do setor deve alcançar R$ 64,42 bilhões.

Segundo a CNA, o bom resultado do VBP é impulsionado principalmente por commodities produzidas no país (soja, milho, trigo e algodão). Uma das exceções neste ano tem sido o café. Embora seja uma commodity, a tendência é de redução do VBP da cultura em razão da queda de produção típica da cultura em anos de bienalidade negativa. 

Produtos voltados ao consumo doméstico, como tomate, mandioca e maçã, também apresentam tendência de retração no faturamento.

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