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Saúde

Risco de falta de soro para hemodiálise preocupa especialistas

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O risco de faltar soro fisiológico em clínicas e hospitais onde pacientes com insuficiência renal fazem hemodiálise, entre outros estabelecimentos de saúde, gera preocupação em profissionais e gestores públicos em várias partes do país.

Durante audiência pública que a Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados realizou hoje (12) para tratar do risco de desabastecimento de vários medicamentos, dirigentes da Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplantes (Abcdt) e da Associação dos Centros de Nefrologia de Santa Catarina (Ascene) focaram nas dificuldades para adquirir soro fisiológico, cujos preços, segundo eles, aumentaram muito além da inflação. Representantes do Ministério da Saúde relataram que, recentemente, a pasta também enfrentou problemas para adquirir o produto que seria distribuído para estados e municípios.

Segundo o presidente da Ascene, Tarcísio Steffen, a situação vem se agravando desde o fim de 2021 e há meses as entidades vêm cobrando providências urgentes das autoridades públicas federais e estaduais.

“Não há hemodiálise sem um insumo tão básico quanto o soro fisiológico, mas para se ter ideia, a maior parte das clínicas de Santa Catarina – e, segundo relatos, do Brasil – já está diluindo cloreto de potássio com água destilada a fim de fazer as sessões de hemodiálise”, afirmou Steffen, ao exibir cópias da troca de mensagens com fornecedores relatando não ter o produto para pronta entrega. Ele acrescentou que há dificuldades também no fornecimento de água destilada. “Temos que fazer algo. Como gestor, não quero viver o que vimos [a população enfrentar] em Manaus [no início de 2021, quando faltou oxigênio nos hospitais para pacientes com covid-19].”

Alta nos preços

Segundo os representantes da Ascene e da Abcdt, além das dificuldades de comprar soro fisiológico, as clínicas de hemodiálise vêm enfrentando dificuldades para arcar com a alta dos preços do produto. 

Documentos apresentados durante a audiência pública indicam que bolsas de 1.000 mililitros (ml) de soro fisiológico custavam, até o fim de outubro de 2021, por volta de R$ 4,01. Em meados de abril deste ano, o insumo atingiu o preço de R$ 25. Desde então, os preços vêm variando, mas sempre em patamares acima dos R$ 21.

“Aqui temos uma cotação de preços de ontem. [Bolsa de] soro de 1.000 ml: R$ 31,40”, demonstrou Steffen exibindo uma nova mensagem no painel do plenário. “Este aumento absurdo, gerou um problema para as clínicas. Ou vai faltar soro ou vai ficar financeiramente inviável as clínicas continuarem atendendo aos pacientes já em tratamento”, acrescentou o presidente da Ascene, garantindo que, mesmo disposta a pagar os preços atualmente cobrados, a empresa em que trabalha passa por dificuldades para repor as cerca de 12 mil bolsas de soro que utiliza mensalmente.

Já o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Soluções Parenterais (Abrasp), André Francisco Ignácio, negou que os fabricantes nacionais de soros (como são conhecidas as soluções parenterais) tenham reduzido o ritmo de produção.

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“Um monitoramento iniciado há 45 dias aponta que todos os fabricantes seguem produzindo com as mesmas capacidades anteriores às queixas. Temos uma situação de normalidade, satisfatória. Não há nenhuma fábrica parada neste momento e as indústrias que tinham paradas de manutenção agendadas para os próximos meses as cancelaram para manter a produção constante neste cenário em que são relatadas dificuldades para encontrar o produto no mercado”, disse Ignácio.

O executivo da Abrasp, contudo, reconheceu a alta dos preços, embora não nos patamares relatados por Steffen, da Ascene. Segundo Ignácio, isto se deve a várias causas “complexas”, como a desvalorização do real frente ao dólar; o aumento da matéria-prima proveniente do exterior e dificuldades logísticas.

“A alta dos preços passa longe dos valores relatados e se deve, obviamente, à reação da indústria à alta generalizada dos custos de produção – cabendo destacar que o maior custo de um frasco de soro é justamente a embalagem de plástico, um item derivado do petróleo, que aumentou mais de 190% desde o início da pandemia”, argumentou Ignácio ao destacar que as consequências da pandemia explicitaram a necessidade do Brasil “restabelecer seu parque nacional de produção de insumos farmacêuticos.”

“Temos, por exemplo, uma cadeia globalizada de fornecimento de IFA [ingredientes farmacêuticos ativos] concentrada em pouquíssimos países. Alguns estudos, inclusive desta própria Casa [Câmara], concluíram que o principal problema do complexo industrial brasileiro de saúde é a dependência externa. Houve um desmanche da indústria brasileira ligada a medicamentos, principalmente dos insumos. Esta dependência externa gera os dois principais problemas que estamos sentindo hoje: a indisponibilidade de determinadas substâncias e o preço altíssimos de outros itens disponíveis para a compra.”

Relatos de dificuldades

Diretora do Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Ediane de Assis Bastos, acrescentou que a pasta tem enfrentado dificuldades para adquirir, em pregões, de forma centralizada, os estoques de alguns insumos distribuídos aos estados e municípios em caráter emergencial.

“Recentemente, fizemos um pregão para a aquisição do [chamado] kit calamidade e fracassamos na compra de soro”, disse Ediane, confirmando que desde março deste ano, o ministério vem recebendo ofícios de secretarias estaduais de saúde, associações de pacientes e de outras instituições ligadas à área da saúde relatando dificuldades no abastecimento ou mesmo a falta de vários medicamentos.

“Quase todos os ofícios que recebemos relatam a falta de dipirona e de alguns antibióticos. Diante disso, o ministério iniciou uma série de ações de articulação com o setor produtivo e os consumidores para tentarmos identificar as causas destes problemas. Esta situação já acontece desde 2019 e se intensificou em 2020 e 2021, mas para a maioria dos medicamentos adquiridos pelo ministério, já começamos a verificar uma certa normalidade”, garantiu a diretora, ao explicar que parte do problema geral – e não só do soro – foi causada pela alta dos custos de produção.

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“Não estava sendo vantajoso para a indústria produzir estes medicamentos, pois os insumos estavam mais caros; os custos para importar estes medicamentos também aumentaram e o valor [de venda] não possibilitava [aos produtores] acompanhar a alta dos custos”, disse Ediane.

A representante do Ministério da Saúde lembrou que, para contornar o problema, o governo federal promulgou, em junho último, a Resolução nº 7 da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed) suspendendo temporariamente os critérios para estabelecimento de preço máximo de seis medicamentos com risco de desabastecimento (sulfato de amicacina; aminofilina; cloridrato de dopamina; dipirona; imunoglobulina e sulfato de magnésio). Além disso, prorrogou a redução do imposto de importação sobre materiais relacionados ao combate à covid-19, como a dipirona e as bolsas de soro fisiológico.

Soluções para o desabastecimento

O secretário-executivo da Câmara de Regulação de Mercado de Medicamentos (Cmed), Romilson de Almeida Volotão, disse que as medidas foram adotadas a fim de responder ao “grave risco de desabastecimento que poderia afetar a vida das pessoas” e não “para corrigir distorções de preços de medicamentos”. E que se ficar provada a alta abusiva dos preços de soro ou outros produtos regulados, os responsáveis serão punidos.

“Deixo aqui, de público, que o preço de fábrica de uma bolsa de 500 ml de soro fisiológico varia entre R$ 6,07 e R$ 6,20. Todo preço acima disso é uma infração clara às normas da Cemed, passível de punição. Se há provas de que isto está ocorrendo, seja na compra efetivada, seja na oferta [dos produtos], que não pode ser feita acima do preço, posso garantir que toda denúncia encaminhada à Anvisa e a Cemed é apurada”, afirmou Volotão.

Ao final da audiência pública, por sugestão da deputada federal Carmen Zanotto (Cidadania-SC), ficou acertado que, dentro de sete dias, as entidades participantes definirão um cronograma para reuniões de trabalho a fim de tentar achar uma solução para o problema. “Este tema é muito preocupante. A falta de medicamentos [e não só de soro fisiológico] já está sendo registrada em 12 estados brasileiros. Quando há falta, enfrentamos também o sobrepreço. Por isso, precisamos compreender o que está causando esta falta de insumos estratégicos que não podem ser substituídos por outros produtos. E precisamos de uma tomada de decisões urgente, pois com estes preços, é praticamente impossível adquirir estes produtos”, disse Zanotto.

“Vamos precisar agir com mais intensidade. Acredito que a Anvisa, como órgão regulador de preço e de abastecimento, precisará agir com mais rigor, já que estamos falando de uma situação em que a indústria está produzindo, mas os produtos não estão chegando à ponta”, acrescentou.

Edição: Pedro Ivo de Oliveira

Fonte: EBC Saúde

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Saúde

Covid-19: Brasil registra 22.167 casos e 206 mortes em 24 horas

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O Brasil registrou, em 24 horas, 22.167 casos de covid-19 e 206 mortes pela doença. Desde o início da pandemia, são 34,245 milhões de casos confirmados e 682.216 óbitos, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (18) pelo Ministério da Saúde.

De acordo com o boletim, há 33,16 milhões de pessoas que contraíram a doença se recuperaram, o que representa um índice de cura de 96,8%. Há ainda 407.001 casos em acompanhamento.

O boletim não apresenta os dados de mortes atualizados do Mato Grosso do Sul.

Estados

O estado com maior número de casos e mortes é São Paulo, com 5,99 milhões e 173.839, respectivamente. Em relação ao número de casos, o estado do Sudeste é seguido por Minas Gerais (3,86 milhões) e Paraná (2,72 milhões). Os menores índices estão no Acre (147.922), Roraima (174.184) e Amapá (177.892).

Em relação às mortes, São Paulo também lidera com 173.839, seguido por Rio de Janeiro (75.250) e Minas Gerais (63.365). Os menores índices estão no Acre (2.027), Amapá (2.157) e Roraima (2.167).

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Edição: Fábio Massalli

Fonte: EBC Saúde

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Saúde

Complexo da Maré teve letalidade por covid duas vezes maior que o Rio

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O Complexo de Favelas da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro, chegou a ter uma letalidade duas vezes maior que a capital fluminense no primeiro ano da pandemia da covid-19, mas a intervenção de um projeto que reuniu pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e ativistas da organização não governamental Redes da Maré atenuou o impacto da doença a partir de setembro de 2020.

Os resultados dos projetos Vacina Maré e Conexão Saúde: De olho na Covid-19 foram apresentados hoje (18) no seminário Olhares sobre a Covid em favelas: ciência, participação e saúde pública, promovido pela Fiocruz, no Rio de Janeiro.

O virologista Thiago Moreno descreveu em sua apresentação sobre o mapeamento das variantes genéticas do coronavírus que circularam na Maré que, em julho de 2020, as comunidades do complexo já concentravam 93 óbitos por covid-19, o que representava uma letalidade de 15% em relação aos 592 casos confirmados até então.

“A mortalidade era o dobro que a da cidade do Rio de Janeiro. A gente ficou com a nítida percepção de que era importante entender o que estava acontecendo nessa região”, disse Moreno, vinculado ao Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz)

O pesquisador vê as condições de vida no complexo de favelas como fatores que estavam ligados a essa maior letalidade, já que a alta densidade populacional e a baixa renda dificultam o isolamento domiciliar e facilitam a transmissão do vírus. A Maré é um complexo de 16 comunidades com cerca de 140 mil habitantes, distribuídos em apenas 5 quilômetros quadrados.

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Agravam a qualidade de vida dessa população problemas de saneamento básico, moradias pouco ventiladas e violência urbana, já que diferentes facções criminosas disputam o território, onde ocorrem tiroteios e operações policiais.

A pesquisadora Amanda Batista, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), participou do Conexão Saúde e comparou dados que mostram a evolução da pandemia no complexo após a intervenção do projeto, que foi responsável pela notificação de mais de 97% dos casos de covid-19 na Maré, já que foram realizados 29,5 mil testes RT-PCR e 5,5 mil atendimentos de telemedicina até abril de 2021.

O período de setembro de 2020 a abril de 2021 teve 124% mais casos notificados que os meses anteriores da pandemia, mostrando uma melhora da vigilância, enquanto os óbitos caíram 62%, e a letalidade, 77%.

Para comparar os dados com outras comunidades cariocas, a pesquisadora mostrou como os números evoluíram no mesmo período na Rocinha, Cidade de Deus e Mangueira. Houve um aumento de menor intensidade nas notificações, de 78%, e uma queda menos acentuada nos óbitos, de 27%, e na letalidade, de 52%.

Entre as ações adotadas pelo Conexão Saúde, além da vigilância, ela destaca a assistência para o cumprimento do isolamento social, em que refeições e itens de higiene e limpeza chegaram a ser fornecidos para que 747 famílias pudessem cumprir a quarentena, interrompendo a cadeia de transmissão do vírus sem comprometer a segurança alimentar.

Diante disso, a pesquisadora defende que a comunidade deve ser envolvida nas respostas de saúde pública às emergências sanitárias, construindo com as autoridades de saúde a solução ideal para cada caso.

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“Cada local tem sua peculiaridade. Uma mesma política de saúde não funciona da mesma forma para todos os lugares”, alerta.

Também foram apresentados resultados do projeto Vacina Maré, que promoveu a vacinação contra a covid-19 no complexo de favelas, e obteve taxas de imunização superior à média da cidade e permitiu a realização de estudos de efetividade das vacinas.

Fernando Bozza, pesquisador do INI/Fiocruz, disse que foram acompanhados mais de 5 mil pessoas, e agora os estudos buscam continuar a pesquisa por mais 2 anos, o que permitiria investigar outras doenças.

“Podemos adicionar outras questões e esse é um dos pontos em que hoje estamos pensando muito”, disse. Ele conta com um grupo de voluntários de mais de 3 mil pessoas para os próximos 2 anos de pesquisa. “O ciclo dois é um grande desafio, porque naquele momento havia uma grande mobilização em torno da vacina. A gente ainda está aqui batalhando essa inclusão”.

Na abertura do seminário, a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, destacou a parceria da fundação com a sociedade civil e agradeceu o empenho dos pesquisadores e voluntários que integraram o projeto.

“Temos que pensar, sempre, que além de apontar as desigualdades temos que apontar a potência dos movimentos sociais, das parcerias e associações para superar esse quadro e aprender com ele. A experiência da Maré é muito importante para seus moradores e para a Fiocruz”, ressaltou.

Edição: Fernando Fraga

Fonte: EBC Saúde

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