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Violência doméstica: Entre o medo de morrer e a coragem de denunciar

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Aviso de gatilho: Por conter relatos sensíveis de vítimas, as matérias desta série especial podem despertar angústia ou ansiedade

Agressão contra a mulher – Foto por: Christiano Antonucci / Secom-MT

Nara Assis | Sesp-MT

violência doméstica começa com atitudes que configuram baixo risco de morte, como discussões, ciúmes, proibições aparentemente banais, evoluindo para xingamentos, humilhações e atos isolados de agressões físicas. Nesta fase, as vítimas dificilmente denunciam ou procuram ajuda, por uma série de motivos, mas principalmente, porque acreditam que o companheiro pode mudar.

O relacionamento da estudante Cali (nome fictício para resguardar a identidade da vítima) sempre foi conturbado, com muitas discussões, términos e reconciliações, ao longo de dois anos. Tendo apenas 16 anos de idade, ela sofreu a violência de quem não aceita o fim, caracterizando o sentimento de posse masculino. “Ele pegou o celular, jogou no chão e quebrou. Depois, começou a me bater e ameaçar, disse que se não ficasse com ele não ficaria com mais ninguém, que ia me matar nem que tivesse que se matar depois”.

Essa foi a reação do então companheiro quando ela disse que iria morar com a mãe, junto com o filho do casal. A mãe dela, então, foi conversar com ele, momento em que o agressor atirou contra Cali e acertou a perna esquerda da vítima. Após o fato, ele mandou mensagens no celular da vítima, dizendo que a amava. Com medo, no ato de registro da tentativa de homicídio, ela pediu medidas protetivas.

A história da jovem faz parte de um dos inquéritos civis analisados detalhadamente na dissertação de mestrado da escrivã da Polícia Civil de Mato Grosso e jornalista, Luciene Oliveira, com o tema “O feminicídio no processo da violência é evitável? Políticas de proteção às mulheres em situação de violência”. Foram considerados casos registrados na Delegacia da Mulher, Criança e Idoso de Várzea Grande, nos anos de 2016 e 2017.

Primeiramente, foram selecionados 17 inquéritos, dos quais foram mantidos 13 para a análise detalhada. Porém, o perfil das vítimas foi traçado levando em conta o total inicial. A pesquisa detectou que a maioria são mulheres jovens e adultas (35% têm entre 36 e 45 anos e 35% têm 18 a 25 anos), com baixa escolaridade (apenas seis possuíam essa informação, prevalecendo Ensinos Fundamental e Médio, incompletos ou completos), que moram em bairro periféricos.

Dependência financeira

A maioria define sua ocupação profissional como “do lar” (35%), ou seja, mulheres que cuidam do trabalho doméstico em tempo integral e não remunerado. As estudantes vêm sem seguida, com 23%. As que trabalham fora estão em empregos pouco remunerados: serviços gerais (12%), e jornalista, manicure, pensionista, vendedora e sem informar (6% cada).

A estudante Mendoza (nome fictício para resguardar a identidade da vítima) tinha 18 anos de idade quando começou a sofrer ameaças e violência psicológica durante o período de um ano que morou com o denunciado, no interior do estado. “Ele me impedia de ter contato com a família, depois passou a me agredir e quando eu dizia que ia me separar ele ameaçava matar meus familiares, e comentava com amigos que se me visse com outro homem me mataria”.

Ele passou a persegui-la, enviando mensagens telefônicas e a vítima declarou tê-lo visto passando de motocicleta em todos os lugares que ia. Numa dessas ocasiões, Mendoza estava com amigos, na frente da casa da mãe, quando perceberam que o ex-convivente estava em um terreno baldio do outro lado da rua. Em seguida, acharam melhor entrar em casa, quando ele fez dois disparos de arma de fogo. Ninguém se feriu, mas as perseguições continuaram. Com medo, ela mudou o número de celular e também de cidade.

Tanto ela quanto Cali tiveram coragem para denunciar e buscar o fim do ciclo de violência, reconhecendo o risco que corriam. Infelizmente, elas fazem parte de uma minoria. Entre as atitudes tomadas, 52% não fizeram nada e apenas 10,03% procuraram a Delegacia da Mulher. Entre as demais, 8% disseram que foram até uma delegacia comum; 5,5% acionaram o Disque 190; e 15% procuraram ajuda na família. Os dados são da pesquisa vitimização do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, de 2019.

Escalada da violência

A residência foi o local do fato mais preponderante (76%) identificado na dissertação, com 13 casos, e a via pública teve menor incidência (24%), presente em quatro inquéritos. É importante ressaltar que 12 mulheres (71%) se sentiram ameaçadas de morte e pediram medidas protetivas; outras cinco (29%) entenderam não ser necessário e recusaram as garantias previstas na Lei Maria da Penha (11.340/2006).

Essa relutância, por medo ou pela idealização do amor, leva as mulheres ao grau de alto risco do ciclo de violência. Conforme a linha de entendimento adotada na dissertação, é a chamada escalada da violência, “que segue o rito do menor grau ao maior nível, decorrente do desequilíbrio masculino que se intensifica com o tempo na relação”. Os vínculos afetivos das mulheres analisadas com os agressores são todos acima de um ano, chegando a 10, 20 e 26 anos de relacionamentos.

O longo tempo de convivência torna o processo mais difícil, principalmente, quando há filhos nascidos da união conjugal. Quase todas as vítimas dos inquéritos analisados têm filhos menores de idade, exigindo delas cuidados dobrados na alimentação, higiene e educação, assumindo o papel de provedoras do lar. Várias mulheres deixaram claro nos depoimentos os complicadores financeiros e assistenciais.

“Pelas narrativas percebe-se que antes desse ápice, a violência já era parte da rotina do casal, mesmo que muitas das mulheres não tenham denunciados nas instâncias policiais, as agressões estavam presentes na relação afetiva ou conjugal. São relações marcadas por forte machismo, sentimento de posse dos homens sobre suas parceiras, e muito disso vem da raiz patriarcal de nossa sociedade. Observamos que as mulheres resistem e muitas adotam estratégias para se desvencilhar da violência, o que é bom”, analisa a pesquisadora Luciene Oliveira.

Depois da etapa de identificação da violência, há os obstáculos encontrados após os registros das ocorrências e instauração dos inquéritos. Este será o tema da próxima reportagem da série especial “Mortes Anunciadas”, bem como as políticas públicas que garantem a proteção das mulheres.

Acompanhe o site www.sesp.mt.gov.br e o Instagram da Sesp-MT (@sespmt) para conferir.

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Mercado de profissionais autônomos é impulsionado pela pandemia

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Em um ambiente pandêmico, algo podemos afirmar: O mundo mudou. Como então se adaptar a uma nova realidade? As relações pessoais foram modificadas e as profissionais também. Como se comportam as relações de trabalho nesse universo diferente?

Devido à crise provocada pelo Coronavírus o desemprego chegou a cerca de 14 milhões de brasileiros até novembro do ano passado, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua). Era preciso se reinventar. E foi o que fizeram mais de 2,6 milhões de pessoas que se tornaram micro empreendedoras individuais MEI, como uma saída para encontrar uma nova fonte de renda.

Esses números representam 8,4% a mais do que o registrado do ano de 2019, de acordo com o Mapa das Empresas do Ministério da Economia. Esse foi o “novo normal” para muita gente. E tem dado muito certo. Dentro deste cenário temos os profissionais autônomos.

CoinJob promove o elo entre clientes e profissionais autônomos

Profissionais autônomos são aqueles que prestam serviço para empresas ou pessoas físicas, mas sem vínculo empregatício. Esse tipo de relação torna mais simples questões tributárias, por exemplo, além de flexibilizar a rotina de trabalho.

Para facilitar o elo entre clientes e profissionais autônomos nasceu a empresa CoinJob. A plataforma funciona como uma vitrine para os profissionais que buscam trabalho e clientes que visam a escolha de serviços de qualidade.

Esse elo profissional acontece de maneira bem simples. Ao acessar www.coinjob.com.br/login.html o usuário realiza o cadastro e informa as necessidades, recebe até quatro orçamentos em poucos instantes e escolhe o profissional que achar mais adequado.

Autonomia para escolher o melhor trabalho

Não foi somente o desemprego que impulsionou a carreira de muitos trabalhadores autônomos. A liberdade no campo profissional também é um atrativo. Ser autônomo pode trazer algumas vantagens, como gerir seu próprio horário e escolher as demandas.

Isso ocorre principalmente pela oportunidade de prestar serviço para diferentes empresas. Algumas categorias se destacam entre os profissionais autônomos e elas são encontradas na CoinJob:

  • Serviços automotivos
  • Limpeza e conservação
  • Saúde e cuidados pessoas
  • Reforma e construção
  • Assistência técnica
  • Manutenção e instalações
  • Educação e ensino
  • Beleza e bem estar

Saiba como se cadastrar na CoinJob

  1. No site www.coinjob.com.br existe um campo para que seja feito o cadastro. Você deve inserir seus dados, como nome, e-mail, Cep e telefone.
  2. Em seguida você irá escolher o tipo de atividade que desenvolve.
  3. O próximo passo será o seu perfil de acesso, com informações sobre você, seus pedidos, avaliações e a sua carteira.
  4. Através da sua carteira CoinJob você poderá comprar pacotes de moedas para que possa ter acesso aos contratantes.

Um diferencial que destaca a CoinJob é a possibilidade do profissional adquirir pacotes de moedas para ter acesso aos clientes. Dessa forma, é possível fechar ótimos negócios. Mas vale ressaltar que a CoinJob não é uma agência ou site de empregos. A plataforma também não cobra taxa pelos serviços fechados entre profissionais e clientes.

Fonte: Mara Rodrigues – Jornalista

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Própolis Vermelha age mais que medicamento contra doença

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A descoberta pode ter ainda aplicação em outras verminoses

Própolis Vermelha age mais que medicamento contra doença

Os benefícios da própolis são largamente conhecidos. Conhecidas por ser anti-inflamatória e aumentar imunidade teve sua procura aumentada em 30% durante a pandemia de Covid-19, de acordo com a Federação Mineira de Apicultura (Femap). A substância é produzida naturalmente pelas abelhas a partir da seiva das árvores. Mas você já ouviu falar em própolis vermelha?

Ela é produzida a partir de uma seiva encontrada no rabo-de-bugio, uma vegetação dos manguezais de Alagoas e é considerada o “ouro-rubro”. A saliva das abelhas transforma a seiva encontrada nos mangues numa espécie de “cimento”, utilizada para revestir a colmeia. Rica em vários compostos, a própolis vermelha tem surpreendido pelas propriedades ativas em ações antibacterianas, antifúngicas, antivirais, anti-inflamatórias, além de alto poder cicatrizante e ação antioxidante, atuando na prevenção do envelhecimento precoce.

A substância de cor avermelhada vem sendo alvo de vários estudos sobre suas propriedades. O mais recente foi realizado na Universidade Guarulhos, com apoio da FAPESP. A própolis vermelha se mostrou mais eficaz no tratamento da esquistossomose do que o único medicamento existente contra a doença.

A esquistossomose também conhecida como barriga d’água é uma doença parasitária que acomete cerca de 300 milhões de humanos no mundo. Causada pelo Schistosoma mansoni, inicialmente é assintomática, mas pode evoluir e causar graves problemas de saúde crônicos, podendo haver internação ou levar à morte. Testes em laboratório mostraram que 400 mg/kg do extrato foram suficientes para reduzir em mais de 60% a carga parasitária em camundongos infectados com o verme.

“As própolis, em especial a vermelha, já têm ação muito conhecida contra bactérias e fungos. Elas têm a função de proteger a colmeia de intrusos e já era esperado que algumas de suas mais de 20 substâncias atuassem contra agentes infecciosos parasitários. O que nos surpreendeu foi ela atravessar o tegumento do verme e matar tanto vermes adultos quanto imaturos, algo que o tratamento convencional da esquistossomose não faz”, afirma Josué de Moraes , professor da Universidade Guarulhos e autor do artigo publicado no Journal of Ethnopharmacology.

Para ser usada em humanos ainda são necessários testes. Atualmente um único medicamento é usado contra a doença há mais de 40 anos. “Embora efetivo, o praziquantel tem limitações importantes. Diferente do que foi observado no estudo com a própolis vermelha, o medicamento não combate a infecção precoce, causada pelos vermes jovens. Ele tem efeito apenas em vermes adultos, o que exige que o paciente espere o ciclo de crescimento do verme até o estágio adulto (infecção crônica) para iniciar o tratamento”, afirma.

Outra limitação do praziquantel está na resistência de alguns vermes a ele. Com cerca de 40 anos no mercado e sem nenhum tratamento alternativo, já foram isolados e identificados vermes com suscetibilidade reduzida ao medicamento.

Moraes afirma que o mais provável é que as própolis verde e marrom também apresentem algum efeito sobre a esquistossomose, mas que serão necessários estudos específicos com os outros dois produtos naturais.

A descoberta pode ter ainda aplicação em outras verminoses. “O esquistossomo é modelo para o estudo de infecções (em humanos e animais) causadas por outros tipos de vermes do grupo dos platelmintos, chamados de vermes chatos, como as tênias. A descoberta, portanto, abre uma oportunidade para novos estudos sobre o tratamento de outras doenças que acometem humanos, cães e gatos, e que também são tratadas com o praziquantel”, diz.

O artigo na íntegra pode ser visto aqui.

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