Notícias Agora

Lula diz que salário mínimo de R$ 1.621 não atende trabalhadores

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou, nesta sexta-feira, 16 de janeiro, que o atual valor do salário mínimo no Brasil, fixado em R$ 1.621 em 2026, ainda é insuficiente para atender às necessidades dos trabalhadores. Essa afirmação foi feita durante uma cerimônia na Casa da Moeda, no Rio de Janeiro, em comemoração aos 90 anos da criação do salário mínimo no país.

Lula destaca a importância de um salário digno, afirmando que todos, tanto o governo quanto a sociedade, têm a responsabilidade de lutar por reajustes constantes no salário mínimo. Ele enfatizou que, embora a criação do salário seja um marco importante, o valor atual é muito baixo para garantir uma vida digna aos trabalhadores.

O presidente também ressaltou que o salário mínimo afeta diretamente muitos brasileiros, incluindo trabalhadores sem representação sindical e aposentados, que dependem do piso para sua renda. Segundo ele, o crescimento econômico do Brasil deve refletir na renda dos trabalhadores, visto que o aumento do Produto Interno Bruto (PIB) é resultado do esforço da população.

Desde 1º de janeiro de 2026, o salário mínimo subiu de R$ 1.518 para R$ 1.621, um aumento de 6,7%. O governo defende a continuidade da valorização do salário mínimo, iniciada em 2023. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que em 2022, 35,3% dos trabalhadores, cerca de 31,3 milhões de pessoas, ganhavam até um salário mínimo, o que evidencia o impacto dessa medida na vida das famílias.

Atualmente, a correção do salário mínimo leva em conta a inflação medida pelo INPC do ano anterior e o crescimento do PIB de dois anos antes, respeitando limites definidos pela legislação fiscal para o período de 2025 a 2030. Essa regra, estabelecida pela Lei nº 14.663/2023, promete mais previsibilidade para trabalhadores e para as contas públicas, com um ganho real de 11,8% acumulado entre janeiro de 2022 e janeiro de 2026.

Durante o evento, Lula também fez menção à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que foi criada na mesma época que o salário mínimo, como uma proteção aos direitos dos trabalhadores. Ele afirmou que a celebração não se restringia ao valor de R$ 1.621, mas sim à decisão histórica de estabelecer um piso que garantisse condições mínimas de vida para a população trabalhadora.

A cerimônia contou com a participação de diversos ministros, como Esther Dweck, ministro da Gestão e Inovação, e Luiz Marinho, ministro do Trabalho e Emprego. Também foram lançadas medalhas comemorativas em homenagem aos 90 anos do salário mínimo e aos 20 anos de política de reajuste real do salário.

De acordo com estimativas do governo, o aumento do salário mínimo deve gerar um impacto de aproximadamente R$ 82 bilhões na economia, permitindo que as famílias tenham maior renda para consumo. Essa política de valorização diretamente beneficia cerca de 62,3 milhões de pessoas, incluindo trabalhadores ativos e aposentados.

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, destacou que, sem as políticas de valorização implementadas nos últimos anos, o salário mínimo atual estaria em torno de R$ 830. Ele também mencionou que a correção do salário mínimo está ligada à dinâmica do mercado de trabalho, que fechou 2025 com uma taxa de desemprego de 5,2%.

Instituído por lei em 1936, o salário mínimo se tornou uma referência importante para a remuneração e benefícios sociais no Brasil, tendo sido ajustado ao longo do tempo conforme as mudanças na política econômica. A cerimônia na Casa da Moeda foi uma forma de reconhecer essa trajetória histórica e a relevância do salário mínimo para a organização do mercado de trabalho brasileiro.

Produção Editorial

Conteúdo desenvolvido pela equipe de produção editorial e parceiros.
Botão Voltar ao topo