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Ilha do Caribe com restrição de acesso às praias para moradores

A Disputa pelas Praias na Jamaica

A Jamaica é conhecida mundialmente por suas belas praias de areia branca e águas cristalinas, atraindo milhões de turistas todos os anos. Em 2024, aproximadamente 4,3 milhões de visitantes viajaram para a ilha, impulsionando o turismo local. No entanto, enquanto os turistas desfrutam das belezas naturais, muitos jamaicanos enfrentam dificuldades para acessar as praias.

Uma viagem de carro pelo litoral norte da Jamaica em 2014 revelou a baía de Mammee, um local que se destacou pela ampla faixa de areia branca e o mar azul-turquesa. O cenário encantador, com barcos de pescadores ancorados e crianças brincando na areia, ficou na memória de muitos. Contudo, em 2020, esse mesmo local foi vendido a um empreendedor local, que planejou construir um resort de luxo e um condomínio. Isso resultou no fechamento do acesso à praia para os moradores da comunidade. Pescadores que haviam lançado suas redes naquelas águas por gerações agora não conseguem mais acessar suas fontes de sustento.

A situação se agravou com a venda de terras a empresas como a China Harbour Engineering Company, que também restringiu o acesso ao rio Roaring, local muito frequente pela população para nadar. Com apenas 0,6% da costa da Jamaica em áreas públicas, a grande maioria do litoral passou a ser propriedade privada. Essa privação gerou revolta entre os jamaicanos, que veem sua conexão cultural com os espaços locais sendo destruída.

Desde 1956, uma legislação conhecida como Lei de Controle das Praias permitiu que o governo jamaicano transferisse áreas costeiras para a iniciativa privada, restringindo o acesso do público. Essa realidade levou à criação do Movimento Ambiental pelo Direito por Nascimento às Praias da Jamaica (JaBEEM) em 2021, que começou a lutar pela reversão dessa situação. Atualmente, há várias ações judiciais em andamento para garantir o acesso dos moradores às praias.

Dentre elas, destaca-se a disputa pela baía de Mammee e outras áreas populares como a praia de Providence e a praia de Bob Marley. A crescente privatização do litoral, com a construção de resorts “all-inclusive”, tem limitado ainda mais as opções de lazer da população local. Esses empreendimentos frequentemente oferecem todas as comodidades dentro de suas instalações, dificultando o acesso dos jamaicanos ao mar.

Diante desse cenário, especialistas destacam que a situação afeta não só o acesso aos espaços naturais, mas também as práticas e tradições culturais, especialmente para aqueles ligados à pesca e à comunidade rastafári.

Apesar das dificuldades, ainda existem praias públicas, como a Seven Mile, que permitem que os jamaicanos e visitantes compartilhem a beleza do litoral. Algumas opções de hospedagem administradas por locais oferecem experiências mais conectadas à cultura jamaicana, longe dos resorts que limitam o acesso.

A luta por acesso contínuo às praias é um tema central nas conversas atuais sobre turismo e desenvolvimento na Jamaica. Os jamaicanos pedem que os visitantes reflitam sobre onde e como gastam seu dinheiro, incentivando uma relação mais sustentável e justa com a terra que é de seu povo.

Produção Editorial

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