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Lula recebe famílias de vítimas da ditadura no Alvorada

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, pela primeira vez em seus três mandatos, familiares de mortos e desaparecidos políticos no Palácio da Alvorada. O encontro ocorreu na noite da última segunda-feira (10) durante uma sessão do filme “Honestino”. A cinebiografia conta a história do líder estudantil Honestino Guimarães, assassinado pela ditadura e com corpo jamais encontrado.

O evento não foi uma audiência oficial, pedido antigo de parentes e militantes de direitos humanos. Mesmo assim, a reunião na residência oficial da Presidência foi celebrada pelos presentes. Diva Santana, irmã de Dinaelza Coqueiro, morta pela ditadura na região do Araguaia, disse que foi uma honra e que o grupo passou a Lula todo o trabalho da comissão. Ela é representante dos familiares na Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP). Diva afirmou que esses encontros só são possíveis em um processo democrático e lembrou que a comissão foi extinta no governo Jair Bolsonaro.

Também estiveram presentes Vera Facciolla Paiva, filha de Rubens e Eunice Paiva, e a presidente da CEMDP, procuradora Eugênia Gonzaga. Juliana Botelho Guimarães Lopes, filha de Honestino, e Lucas Botelho Guimarães Lopes, neto do líder estudantil, também participaram. Eugênia entregou a Lula uma sacola bordada e um bottom com o nome do operário Manuel Fiel Filho, assassinado pela ditadura. A primeira-dama Janja recebeu dois bottons, com os nomes de Dinaelza e de Stuart Angel.

Durante o encontro, Eugênia mostrou a Lula a certidão de óbito retificada de Honestino Guimarães. O documento registra morte não natural, violenta, causada pelo Estado no contexto da perseguição sistemática a dissidentes políticos no regime instaurado em 1964. A procuradora convidou o presidente para a última rodada de entrega de certidões retificadas no final do ano. Ela reiterou a importância de Lula continuar encontrando as famílias, fase que chamou de reparação imaterial.

Críticas anteriores

Em 2023, familiares e militantes criticaram Lula pela demora em recriar a CEMDP. Também criticaram a fala do presidente de que o tema faz parte do passado. Na ocasião, Suzana Keniger Lisboa, viúva de Luiz Eurico Tejera Lisboa, disse que Lula recebeu o pipoqueiro da esquina e não recebeu os familiares. Procurada para comentar o encontro desta semana, Suzana não atendeu às ligações nem respondeu às mensagens da reportagem.

Diva Santana afirma que ainda há muito desgosto entre os familiares pelas tentativas em vão de saber o paradeiro dos corpos. Ela diz que alguns não acreditam mais em nada, mas que, aos 81 anos, não desistiu. Para ela, a mobilização ganhou força após o filme “Ainda Estou Aqui”. A sessão contou ainda com a presença dos ministros dos Direitos Humanos, Janine Mello, da Educação, Leonardo Barchini, e da Cultura, Margareth Menezes, além da equipe do longa dirigido por Aurélio Michiles.

Produção Editorial

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