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PF diz que senador tentou interferir em investigação no STJ

A Polícia Federal apontou comunicações reiteradas entre o senador Weverton Rocha (PDT-MA) e o ministro do STJ Humberto Martins. A suspeita é de tentativa de interferência do senador em inquérito sobre um homicídio em São Luís.

O caso investiga se o crime está ligado a uma suposta cobrança de propina por Daniel Brandão, presidente do TCE do Maranhão. Ele é sobrinho do governador Carlos Brandão (MDB).

A investigação está agora com o ministro Flávio Dino, do STF. A menção às conversas está em decisão de Dino tornada pública nesta sexta-feira (14).

O senador não se manifestou. O ministro do STJ, que não é investigado formalmente, também não se posicionou.

As comunicações foram identificadas a partir do celular de Weverton, apreendido no ano passado. O aparelho foi analisado em operação sobre desvios relacionados ao INSS.

Segundo a PF, os dados revelam comunicações diretas com Humberto Martins entre 25 de janeiro de 2023 e 4 de outubro de 2025. Foram identificadas mensagens de texto, áudios, ligações e compartilhamento de mídias.

A PF afirma que os diálogos versam sobre encontros pessoais e processos sob relatoria do ministro. A relação de proximidade, segundo o órgão, ultrapassa os limites formais ou institucionais.

O senador fazia pedidos ao ministro sobre ações que tramitavam sob sua relatoria. Houve um encontro pessoal no gabinete do magistrado em agosto do ano passado.

Em 2 de junho, houve trocas de mensagens e uma ligação de cerca de cinco minutos. Em áudio, o senador citou dificuldades de conexão. Na mesma data, Martins determinou a transferência de Gilbson Cesar Soares Cutrim Júnior do presídio de Pedrinhas para Brasília.

Gilbson Cutrim foi condenado como executor do assassinato do empresário João Bosco Sobrinho, ocorrido em 2022. A pena foi de 13 anos de prisão.

Caso no STF

O caso apurava se o assassinato está ligado a uma suposta cobrança de propina por Daniel Brandão. Em novembro de 2025, devido às suspeitas sobre Weverton, o processo foi para o Supremo.

O episódio virou ponto central na corrida pré-eleitoral pelo Governo do Maranhão. Grupos ligados a Dino, dissidentes e opositores trocam acusações.

A PF também apura se o homicídio tem relação com suspeitas de desvios de emendas parlamentares e contratos no Maranhão.

Carlos e Daniel Brandão não se manifestaram nesta nova etapa. Eles negam irregularidades.

Carlos Brandão disse, anteriormente, que os processos decorrem de narrativas manipuladas. Afirmou que nunca teve processo contra sua atuação. Segundo ele, os casos surgiram após distanciamento político de um grupo que tentava permanecer no poder.

Daniel Brandão repudiou as tentativas de associar seu nome a fatos criminosos sem provas. Disse que o condenado já afirmou que ele não tem relação com os fatos. O presidente do TCE-MA acrescentou que as alegações decorrem de narrativas em períodos de disputa eleitoral.

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